quarta-feira, 27 de abril de 2011

MOMENTO DISCENTE: SONETO - BEATHRIZ TELES DOS SANTOS (BRASIL)




Foto: África




SONETO



BEATHRIZ TELES DOS SANTOS (BRASIL)



Eu estou amando! Uma
mulher perfumada e
amorosa
Ela sabe o caminho certo


Eu estou amando! uma
mulher que toma decisões
certas na vida e ela é sincera
E possui um coração de ouro


Eu estou amando! uma
mulher determinada e
com um sonho


Eu estou amando! uma
mulher linda e cheirosa
Mas ela não sabe se gosta de mim

segunda-feira, 25 de abril de 2011

CONTO: A MULHER QUE DESCOSTUROU O CONGRESSO NACIONAL - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Foto: O Chamado das Musas- óleo/acrílico s/tela, Vanda Lúcia da Costa Salles




A MULHER QUE DESCOSTUROU O CONGRESSO NACIONAL


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)





A forma do bordado tecia....
Caminhava ao longo da praia e focava o infinito, na vertical.
A profunda ressaca parecia insurgir-se contra tudo e todos em seu caminho devorador para depois arrebentar-se toda de gosto nas encostas dos enormes paredões, na orla das pedras das tartarugas e transformar-se em branquíssimas espumas que se infiltravam na areia banhando as desovas ou entre as algas dos rochedos impenetráveis.
Ousada, a mulher única, teimava em escrever e ler, ali, destemida no traço.
O caxarelo e sua amada cria vinham mansamente aprender com ela a ouvir e ver estrelas aquietadas por entre os corais emocionados.
Os de bicudos chapéus diziam que essa mulher lia para os peixes, porque uma ternura imensa acompanhava-a no dia e na flexibilidade do instante, quando – entre o breve e o infinito -, ela havia devorado o congresso nacional. Descosturando toda a sensatez do politicamente correto.
Primeiro, desfiou a urdidura. Depois, uma por uma, a trama. Destecendo a linha, fio por fio. Remodelou-o. Como boa tecelã, colocou em alto relevo o patrimônio histórico ambiental e enfatizou a cultura. Do folclórico, um brilho a mais. A língua brilhante em sua forma, e em sua mais variada literatura, infinitamente lusófona.
Redesenhou o conjunto de rios, a magnífica vegetação em todos os seus matizes de verde calculados cuidadosamente, um a um, nas diferentes panelas de seu ateliê.
Bordou no sisal com angico, urucum e o açoita-cavalo, todas as cores necessárias para acentuar os minérios, as montanhas, as praias, os animais existentes e imagináveis. Um boitatá surgiu descomunal, com toda a sua força, paciência e profundidade das fiadas dum azul-escuro, entremeado de roxo e branco zinco. Desse branco, tão neutro, mas desejando harmonia em seu fulgor, entremeou-se um amarelo em todos os seus matizes. Um sol brotou, acima. Dois batuíras, alguns socós, belas piaçocas, vários irerês, surucuás-de-barriga-amarela e uns tantos martim-pescador sob um céu indescritível.
Riscado no vermelho das linhas e dos traçados amarelecidos de um devaneio lilás brotado num cipó-de-ouro, em maracujás-da-praia, uma família de tiziu estabelecia em uníssono o canto geral. Um João-de-barro a porta da casa descobria da argila seca. Bicando em revoadas o barro. Liberto de seus medos trabalhava
firme e feliz.
A vitória-régia estampava-se imperiosa. No fundo das águas profundas, um jovem pescador brincava com Kisimbi e seus cântaros, formadores das águas doces das cachoeiras e dos rios, do mundo. Perfumada, a flor de maracujá exalava-se dando nua. O cheiro insurgia-se no ar, os poros da pele latejavam-se em desejos
lasos.
Um pouco mais acima, Agorréia – a serpente sagrada-, com toda a sua divina graça e seu colorido real, seduzia Angarô, o pai arco-íris. Virado estava em seus
devaneios.


( In. Universo Secreto ( Entre o Abismo e a Montanha), Vanda Lúcia da Costa Salles)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

MOMENTO DISCENTE: RONALDO CORREIA DE BRITO- O MEU AUTOR ; THAIANE LIMA BERNARDO (BRASIL)



Foto: Ronaldo Correia de Brito (Brasil)



O MEU AUTOR EM PESQUISA




O meu livro lido chama-se O BAILE DO MENINO DE DEUS, foi publicado em 2003 e o assunto tratado é um ensinamento de como produzir uma peça de teatro com cenário e personagens. Os meus autores se conheceram no colégio e a amizade deles é de muito anos. O nome dos meus autores é: Ronaldo Correia de Brito e Francisco Assis Lima.
O Baile do Menino Deus conta a trajetória do personagem Mateus na busca da casa onde nascerá um Menino. Acompanhado de crianças, ele pretende celebrar uma festa em louvor a este nascimento. No entanto, após achar a casa, o grupo nota que a mesma está fechada. Uma série de brincadeiras se sucede, até que as portam se abrem e a festa pode finalmente começar.

O espetáculo é inspirado em manifestações da cultura popular do Nordeste, tais como o Auto de Reisado, Lapinha, Bumba-Meu-Boi, Guerreiro e Cavalo Marinho, e a trilha sonora é formada por música de concerto, coro adulto e infantil, além de solistas. O baile remete ao rico imaginário brasileiro, constituindo-se como um representativo exemplo de força da dramaturgia nacional.



*RONALDO CORREIA DE BRITO :(Saboeiro ,CE 1951). Dramaturgo, contista, documentarista, médico e psicanalista. Aos seis anos, muda-se com a família para Crato, Ceará. Aprendendo a ler através da Bíblia, com seu pai, passa a se interessar não só pela literatura como também pelas narrativas orais de sua região. Em 1969, muda-se para o Recife com o objetivo de preparar-se para o vestibular, ingressando na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, no ano seguinte. Nesse período, freqüenta o Departamento de Extensão Cultural - DEC da UFPE, dirigido pelo escritor Ariano Suassuna (1927), através do qual entra em contato com o Movimento Armorial. Mais tarde, se especializa em clínica médica e psicanálise, ofícios em que divide paralelamente às atividades artísticas. Em 1973, realiza o documentário para cinema, Cavaleiro Reisado, o primeiro de um longo trabalho dedicado ao resgate e ao estudo da cultura popular nordestina. Já em 1975, dirige o longa-metragem produzido para TV Cultura, Lua Cambará, com Assis Lima, Horácio Carelli e o músico Antônio José Madureira. Com os mesmos desenvolve o projeto teatral Trilogia das Festas Brasileiras - O Baile do Menino Deus (1987), Bandeira de São João (1989) e Arlequim (1990) -, que envolve a produção de espetáculos, discos e livros. Em 1983, dirige a peça de sua autoria Maracatus Misteriosos. Depois do lançamento do volume de contos Faca, 2003, é convidado para o cargo de escritor-residente da Universidade de Berkeley, California - EUA. Atua também na área educacional e de curadoria, além de colaborar com vários periódicos, como Terra Magazine, Bravo! e Continente Multicultural.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

MOMENTO DISCENTE: VIVA O BOI-BUMBÁ : LIVRO E MEU AUTOR PESQUISADO - YGOR NOGUEIRA (BRASIL)*



Foto: Rogério Andrade Barbosa (Brasil)





O LIVRO E MEU AUTOR PESQUISADO





O nome do livro que eu li é VIVA O BOI-BUMBÁ, de Rogério Andrade Barbosa, um talentoso escritor contemporâneo de literatura infanto-juvenil A ilustradora é a Graça Lima, que também é muito talentosa.
Eu gostei muito de participar dessa roda de leitura, porque aprendi inúmeras outras coisas sobre leitura e escrita ,mas também sobre escritores do nosso país.




*ROGÉRIO ANDRADE BARBOSA,Professor, ex-voluntário das Nações Unidas na Guiné-Bissau, África, graduou-se em Letras pela UFF e fez pós-graduação em Literatura Infantil Brasileira na UFRJ.

Trabalha na área de Literatura Afro-Brasileira e em programas de incentivo à leitura, proferindo palestras e ministrando cursos - além de viajar pelo Brasil afora nas asas do projeto Proler, da Fundação Biblioteca Nacional.

Em 1994, participou como autor convidado e contador de histórias das feiras do livro de Frankfurt (Alemanha) e de Guadalajara (México). Em 1995, do II Encontro Iberoamericano de Literatura para crianças e jovens, em Havana (Cuba). Em 2000, do 27º Congresso do IBBY, em Cartagena (Colômbia). Em 2001, da feira de livros de Bolonha (Itália) e de Guadalajara (México). Em 2002, do 28º Congresso do IBBY, em Basel (Suíça). Autor indicado para a lista de honra do IBBY de 2002.

Atualmente, é membro do conselho consultivo da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) e presidente da AEI-LIJ (Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil).

É autor de mais de trinta livros, publicados no Brasil e no exterior, entre eles: A vingança do falcão, Rômulo e Júlia: os caras-pintadas, Os segredos da múmia do gelo, A maldição das inscrições na Pedra da Gávea, O perigo mora nas ruas, Mapinguari: o devorador de cabeças.




**GRAÇA LIMA: É carioca, formada em Comunicação Visual pela Escola de Belas Artes da UFRJ, fez o Mestrado na PUC-RJ. Ganhou vários prêmios com seu trabalho, entre eles os da FNLIJ Prêmio Luis Jardim, Prêmio Malba Tahan, Prêmio O Melhor para o Jovem e muitos Altamente Recomendável. Foi indicada entre as finalistas para o prêmio Jabuti muitas vezes e recebeu em 82, 84 e 2003 este prêmio na categoria de ilustração. Fora do Brasil recebeu 4 vezes a Menção White Ravens da Biblioteca de Munique na Alemanha. Alguns de seus trabalhos já viajaram por outros países e foram publicados em catálogos Internacionais como o Catálogo de Ilustradores da Feira de Barcelona, na Espanha; o da Feira de Frankfurt na Alemanha, o Catálogo da Feira da Brastslávia e o Catálogo Brazil a Bright Blend of Colours feito pela FNLIJ para divulgar o trabalho dos ilustradores brasileiros. Atualmente é professora de Metedologia Visual na Escola de Belas Artes da UFRJ.



(Trabalho desenvolvido em Leitura e Escrita e Jogos de Linguagem, nas aulas de Português, da Professora Vanda Lúcia da Costa Salles )

terça-feira, 12 de abril de 2011

MOMENTO DISCENTE: MEU AUTOR E LIVRO EM PESQUISA - VANESSA RIBEIRO FONTES (BRASIL)*



Foto: Arthur Azevedo (Brasil)


O MEU AUTOR E LIVRO EM PESQUISA


VANESSA RIBEIRO FONTES (BRASIL)


O meu autor pesquisado é Arthur Azevedo e o livro lido e apresentado na roda de leitura é Em Família- Plebicito. Reeditado no Rio de Janeiro, pela Nova Fronteira, em 2002.
Arthur Zevedo nasceu em 1855, em São Luis, no Maranhão. Musou-se para o Rio de Janeiro, dirigiu jornais e revistas, teatros. Escreveu poemas e peças teatrais. Lutou pela Abolição dos Escravos.
Eu gostei desse livro porque, além de me passar uma informação sobre o que é plebicito, eu conheci um grande autor brasileiro que dignificou a Língua Portuguesa.
Este livro fala sobre uma família com três filhos e um deles pergunta ao pai o que é plebicito, só que o pai não sabia,mas não queria dizer que não tinha esse conhecimento. Daí ele se trancou no quarto onde tinha um dicionário, depois de muito tempo e lê-lo, saiu e disse que plebicito é uma lei romana que leva o problema ao povo para que ele dê a solução.


* Em aula de Leitura e Escrita; Jogos de Linguagem




* * Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo nasceu em 7 de julho de 1855, em São Luís - MA e faleceu em 22 de outubro de 1908, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de David Gonçalves de Azevedo, vice-cônsul de Portugal em São Luís, e Emília Amália Pinto de Magalhães.Era irmão mais velho do escritor Aluísio Azevedo, autor de "O Cortiço" e "O Mulato". Artur de Azevedo, prosseguindo a obra de Martins Pena, consolidou a comédia de costumes brasileira, sendo no país o principal autor do Teatro de revista, em sua primeira fase. Sua atividade jornalística foi intensa, devendo-se a ele a publicação de uma série de revistas, especializadas, além da fundação de alguns jornais cariocas.
( In: Wikpedia)

domingo, 10 de abril de 2011

MOMENTO DISCENTE: PAI NO TRABALHO - THAINÁ LUCAS NOGUEIRA (BRASIL)*




Foto: Crow



PAI NO TRABALHO



THAINÁ LUCAS NOGUEIRA (BRASIL)


Pai acorda,
pai escova os dentes,
toma café e vai pro trabalho


Pai chega no trabalho
e começa a trabalhar, depois
chega em casa janta
toma banho e vai dormir


Mas sempre tem tempo
pra mim, pai é
E no dia seguinte a mesma coisa.
Que coisa linda!


* Em aula de Produção Textual e Jogos de Linguagem

sexta-feira, 8 de abril de 2011

POESIA: O PORQUÊ - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)*




Foto: Pintura- trabalho coletivo de alunos do fundamental, em técnica arteterapêutica, com a professora Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)




O PORQUÊ

Aos adeptos da utopia...


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


Estamos em luto. Pesado luto.
As palavras escorregam para depois emudecerem
como quiabo tropeçando em sua baba
que nunca agrada a ninguém
A imaginação fértil não se explica
Não se explica também o entrave emocional
e nem essa tragédia
na escola pública brasileira
que já era em si
anunciada,
mas ninguém queria enxergar


Dentro da sala de aula, nas mãos trago
sonhos inacabados,
três pilot regarregáveis descarregados
(sou da língua portuguesa- não sei se isso explica)
nas cores azul vermelho e preto
E vivo esperando o final do mês para que
alguém possa,
com educação na Educação,
recarregá-los,
porque o meu salário no final do mês,
não comporta mais pagá-los.


Vivo cansada do politicamente correto
e desconfio
das malversações das verbas públicas
(principalmente, na Saúde e na Educação),
por isso tenho medo,
enlouquecido medo,
de que já não consiga mais ler
porque
tentei, tento e não consigo
nem registrar direito no INPI,
àquilo que é de meu direito.
Em meu país,
às vezes sinto,
que o cidadão e a criatividade
estão sendo varridos para debaixo do tapete.


Nesse momento,
não consigo conter as lágrimas
e nem quero contê-las.
Sei que sou somente mais uma professora enlouquecida na impotência
que se refugia
no espaço aberto,
da linguagem.