quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

POESIA: A LUZ DO DIA - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)







A LUZ DO DIA


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


era a luz do dia de sua mãe.
o que quero
não espero
faço acontecer
através do dom
que o bom Deus me deu, dizia
o menino que corria
meio ao trânsito
engarrafado
e buzinas loucas
lançando ao ar: bolas,chapéus,boliches,
seus sonhos,
de ser um grande
na novela das dez,
em ponto,
no ponto dessa esquina do metrô,
de bêbado
um carro desgovernado
e retrô
esmagou-lhe o sorriso de moleque,
à luz do dia.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CONTO: A PERDIZ ENCANTADA- VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)




Foto: Vanda Lúcia da Costa Salles- Eventos e comércio de objetos de arte (CAFÉ LITERÁRIO E BIBLIOTECA COMUNITÁRIA: MARIA SALLES ( in memoriam)






A PERDIZ ENCANTADA






Distante do mar à 30 quilômetros, à beira do Caíco, em Pérgamo, na mais importante cidade da Músia, vivia Pergamina - a perdiz encantada. A guardiã de todas as letras do verbo encarnado. Mentora do grande livro.
Voava seu voo no exercício do hábito. Bela, entre seus pares. Com sua cor púrpura nas penas entremeadas por um dourado intenso que aos raios solares dispendia um fulgoroso brilho. Eles a seguiam. Os pergoleiros negróides.
Pergamina iniciava um voo rasante quando recebeu em seu peito, de cheio, uma flechada tão violenta que estilhaçou o seu pequenino coração . Sentiu o golpe traiçoeiro como um zumbido. Percebeu-se caindo como um fardo sem destino até golpear a pedra cinzenta e esquecer o seu propósito de vida. E seu último pensar foi nos filhotes dentro da mata esquecidos, à sua espera. A memória de si esvaira – se , lentamente. Os hieróglifos empalideceram-se quando o sangue da infeliz ave gotejando-os, marcou a pele através das penas e a mensagem se pode ler. Um abismo projetou-se.
Da vida, nem sempre compensava o trato, todavia a metamorfose era o que mais refinava o tempo. A guardiã cumpria o seu destino. Outros aprenderiam o que de si não contivera olvidar. De sua pele perfeita um pergaminho surgiria. Quem soubesse o decifrasse. Para a chave, a memória recriar.
Um dos negróides pergoleiros arreganhou os dentes e aproximou-se sorrateiro, mata à dentro.



( IN.: UNIVERSO SECRETO Entre o Abismo e a Montanha.Vanda Lúcia da Costa Salles. Virtualbook, Pará de Minas-MG,2011 )

sábado, 31 de dezembro de 2011

POESIA: CANÇÃO NATIVA - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)








CANÇÃO NATIVA


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Nas ruas da cidade
uma mulher caminha suas dores
entre homens de pedra
tão-só, mas tão só
que uma estrela cadente atravessa o espaço
em tempo.
No tempo,
a fantasia pendurada desmascara a face da quintessência
no alpendre
de uma casa antiga
De súbito
uma criança rasga o ventre da tarde cantando utopias...




Ah! O que seria de nós se não fosse a poesia?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

HOMENAGEM: AVATARES- RUTH ANA LÓPEZ CALDERON-(BOLIVIA)


Foto: Ruth Ana López Calderon (Bolivia)



AVATARES

RUTH ANA LÓPEZ CALDERON (BOLIVIA)



La zozobra palpa el corazón
apabullado
enmarañado en celajes extraños

La cercanía distante, respirar casi el mismo aire,
caminar las mismas calles, sin que los pasos
lleguen al encuentro
hoy, el mismo viento que azota mi cara,
despeina tus cabellos

¡Oh!, los avatares de la ruta
y el laberinto en que estamos
sin darnos cuenta de que cuenta nos damos
del sarcasmo de las nubes
pone latidos enamorados al cuerpo
en el límite,
al cuerpo que cruza la frontera
entre ésta
y la otra vereda en la otra ciudad
de los túneles


¿cuándo florecerán las azucenas?
¿cuándo de tu boca un te quiero?
¿cuándo tu piel y la mía compartirán el lecho?

atroz, doliente en extremo
y casi burlesco ja, ja, ja...
poseídos del delirio
Lo siento, lo siento, olvidé que el tango es algo serio,
cuando llega a destiempo el ritmo
cuando no quedan restos para moverlo
cuando sólo llorarlo se puede

¿quién desata los nudos?
¿quién pone nubes rosas en el horizonte negro?
¿quién abriga huérfanas sandalias?

y la demencia anclada en la espera
golpea contra las paredes, ¡sí!, ¡sí!,
las paredes blancas, las paredes negras,
como tablero de damas antiguas
hacen eco en metálicas carcajadas
y devanan los algodones
los hacen polvo esparcido,
a nublar tus ojos


a mis ojos, llenarlos de cenizas,
ahítos de imágenes truchas
bailando sobre el iris calcinado por el frío


tus manos no tocarán las mías
tus labios no rozarán los míos
tu corazón, tu corazón
no latirá al compás que danza con la muerte
perdida en el limbo coherente de la locura


la oscuridad luminosa envuelve
tus huellas siguen su camino
las mías se detienen.








LA PLUMA


RUTH ANA LÓPEZ CALDERON (BOLIVIA)






La pluma negra en la mano aletea desesperada,
su silueta distante captura el viento inclemente:
Usurpa sueños tardíos y temores que habitan el horizonte


donde noches ensimismadas escudriñan el fondo de lo oscuro,
lento mastican la zozobra de impuros gemidos,
de piel profana como sepulcro y ecos
vagan como fantasmas y relámpagos
alumbrando tempestades nocturnas.


¡No!, no hay nada tangible en la alborada de este paisaje
de llanto,
sus crispadas alas amortajan la esperanza y en la sombra
huyen.


La pluma negra en la mano lamenta como estaca
y como carne fragmenta y desdibuja el mapa clandestino.
Y el alarido, ¡sí!, el alarido de su vuelo.


El oscuro laberinto dibujado.


¡Oh!, esperado e inesperado retorno.


El cuervo reposa sus garras sobre mi mano.


*RUTH ANA LÓPEZ CALDERON: “nací en Sucre-Bolivia, el 10 de febrero de 1968, soy secretaria ejecutiva y enamorada de las letras. Desde pequeña sentí el llamado del arte en varias de sus facetas, el ballet, el dibujo y la escritura, pero no seguí ninguna de dichas inclinaciones artísticas; apenas escribo poemas desde agosto del 2010”.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

POESIA: NÚNCIA POÉTICA- VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES



AGUARDEM!!!! BREVE LANÇAMENTO!!!!



NA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA:MARIA SALLES (IN MEMORIAM)
DO CAFÉ LITERÁRIO
ENLACE MPME MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO
AV. MARICÁ, 3314-LOJA
J.ALCÂNTARA- SÃO GONÇALO- RJ-BRASIL



LIVRO DE VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

BREVE LANÇAMENTO NO CAFÉ LITERÁRIO: UNIVERSO SECRETO, DE VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


Foto: Livro(contos,Virtualbook,2011), da escritora brasileira VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES.


ESFINGE



Brilhante, uma cabeça de cão. Corpo de águia e pés de
pato, dourado.
Um enigma a desvendar, poucos conseguiu essa façanha.
Por isso o vale dos ossos secos, junto a seus pés, erguia-se,
nítido.
A mulher chegou. Nem pestanejou. Retirou da bolsa um
pequeno vidro espelhado em arabescos. Espelhou o sol até
ficar no ponto certo do espaço celeste. Estendeu o braço. De
tal maneira, que os raios refletiram-se e formou um laser até
aos olhos de vermelho-pedra preciosas da esfinge. Ecos da
voz de Tânia Libertad, ouviu chegar ali, sob sons terrenos de
Los Pajaros Perdidos. A bela música a seguia, orientando o
vôo. Voou através das cifras musicais, uma a uma, unindo-as.
A refração bateu ao solo, retornando a antiga origem.
Arcas surgiram, revelações de antigas escritas, óleos
balsâmicos e estilizada pedra. Puxou tudo. A água brotou da
terra e inundou o vale. Aguando musgos, plantas, folhas,
frutos, pássaros, filhotes e toda a vida ruprestes. Leu o que
surgira a luz do iluminado dia. Os ossos palavras soltas
formavam e determinavam pelo espírito da voz o que seriam
no solo que a vida preparava nas primícias do barro. E verbo
se fez, no óbvio. No tempo em que gramíneas esparramavam
árvores com atitudes. Uma adolescente refugiada na caverna
primitiva pintava com sucos de ervas bisões e a figura de seu
amado caçando, o que seria presente. Acariciando o ventre
avantajado, iniciou um pensamento. O cérebro expandiu-se.
A linguagem de humana jorrava sensibilidade. Firmou-se no espaço imagem.
No vento formou-se leve aragem que molhou as bocas
ressequidas. Do sopro, a palavra surgiu relâmpago até ao
interior do que se pensava feto.
Nem ovo e nem galinha. A vida prenhe de luz enredou-se
lúcida, na perfeição do mistério.
Os ossos voltaram a ser gente. Aos olhos do mundo, um abissal segredo.


( In.: SALLES,Vanda Lúcia da Costa. UNIVERSO SECRETO ( Entre o Abismo e a Montanha),Virtualbook,MG:2011)

domingo, 25 de setembro de 2011

POESIA: ALÉM DA FLOR DO MARACUJÁ- VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


Foto: Chantal Foucault (França)



ALÉM DA FLOR DO MARACUJÁ


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Viajei em tuas lembranças
sonhei coisas,
que já ninguém dá o valor merecido
como esta flor de maracujá
adormecida neste livro
que guardo para ti
um dia
abrir...