sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

HOMENAGEM: AVATARES- RUTH ANA LÓPEZ CALDERON-(BOLIVIA)


Foto: Ruth Ana López Calderon (Bolivia)



AVATARES

RUTH ANA LÓPEZ CALDERON (BOLIVIA)



La zozobra palpa el corazón
apabullado
enmarañado en celajes extraños

La cercanía distante, respirar casi el mismo aire,
caminar las mismas calles, sin que los pasos
lleguen al encuentro
hoy, el mismo viento que azota mi cara,
despeina tus cabellos

¡Oh!, los avatares de la ruta
y el laberinto en que estamos
sin darnos cuenta de que cuenta nos damos
del sarcasmo de las nubes
pone latidos enamorados al cuerpo
en el límite,
al cuerpo que cruza la frontera
entre ésta
y la otra vereda en la otra ciudad
de los túneles


¿cuándo florecerán las azucenas?
¿cuándo de tu boca un te quiero?
¿cuándo tu piel y la mía compartirán el lecho?

atroz, doliente en extremo
y casi burlesco ja, ja, ja...
poseídos del delirio
Lo siento, lo siento, olvidé que el tango es algo serio,
cuando llega a destiempo el ritmo
cuando no quedan restos para moverlo
cuando sólo llorarlo se puede

¿quién desata los nudos?
¿quién pone nubes rosas en el horizonte negro?
¿quién abriga huérfanas sandalias?

y la demencia anclada en la espera
golpea contra las paredes, ¡sí!, ¡sí!,
las paredes blancas, las paredes negras,
como tablero de damas antiguas
hacen eco en metálicas carcajadas
y devanan los algodones
los hacen polvo esparcido,
a nublar tus ojos


a mis ojos, llenarlos de cenizas,
ahítos de imágenes truchas
bailando sobre el iris calcinado por el frío


tus manos no tocarán las mías
tus labios no rozarán los míos
tu corazón, tu corazón
no latirá al compás que danza con la muerte
perdida en el limbo coherente de la locura


la oscuridad luminosa envuelve
tus huellas siguen su camino
las mías se detienen.








LA PLUMA


RUTH ANA LÓPEZ CALDERON (BOLIVIA)






La pluma negra en la mano aletea desesperada,
su silueta distante captura el viento inclemente:
Usurpa sueños tardíos y temores que habitan el horizonte


donde noches ensimismadas escudriñan el fondo de lo oscuro,
lento mastican la zozobra de impuros gemidos,
de piel profana como sepulcro y ecos
vagan como fantasmas y relámpagos
alumbrando tempestades nocturnas.


¡No!, no hay nada tangible en la alborada de este paisaje
de llanto,
sus crispadas alas amortajan la esperanza y en la sombra
huyen.


La pluma negra en la mano lamenta como estaca
y como carne fragmenta y desdibuja el mapa clandestino.
Y el alarido, ¡sí!, el alarido de su vuelo.


El oscuro laberinto dibujado.


¡Oh!, esperado e inesperado retorno.


El cuervo reposa sus garras sobre mi mano.


*RUTH ANA LÓPEZ CALDERON: “nací en Sucre-Bolivia, el 10 de febrero de 1968, soy secretaria ejecutiva y enamorada de las letras. Desde pequeña sentí el llamado del arte en varias de sus facetas, el ballet, el dibujo y la escritura, pero no seguí ninguna de dichas inclinaciones artísticas; apenas escribo poemas desde agosto del 2010”.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

POESIA: NÚNCIA POÉTICA- VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES



AGUARDEM!!!! BREVE LANÇAMENTO!!!!



NA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA:MARIA SALLES (IN MEMORIAM)
DO CAFÉ LITERÁRIO
ENLACE MPME MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO
AV. MARICÁ, 3314-LOJA
J.ALCÂNTARA- SÃO GONÇALO- RJ-BRASIL



LIVRO DE VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

BREVE LANÇAMENTO NO CAFÉ LITERÁRIO: UNIVERSO SECRETO, DE VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


Foto: Livro(contos,Virtualbook,2011), da escritora brasileira VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES.


ESFINGE



Brilhante, uma cabeça de cão. Corpo de águia e pés de
pato, dourado.
Um enigma a desvendar, poucos conseguiu essa façanha.
Por isso o vale dos ossos secos, junto a seus pés, erguia-se,
nítido.
A mulher chegou. Nem pestanejou. Retirou da bolsa um
pequeno vidro espelhado em arabescos. Espelhou o sol até
ficar no ponto certo do espaço celeste. Estendeu o braço. De
tal maneira, que os raios refletiram-se e formou um laser até
aos olhos de vermelho-pedra preciosas da esfinge. Ecos da
voz de Tânia Libertad, ouviu chegar ali, sob sons terrenos de
Los Pajaros Perdidos. A bela música a seguia, orientando o
vôo. Voou através das cifras musicais, uma a uma, unindo-as.
A refração bateu ao solo, retornando a antiga origem.
Arcas surgiram, revelações de antigas escritas, óleos
balsâmicos e estilizada pedra. Puxou tudo. A água brotou da
terra e inundou o vale. Aguando musgos, plantas, folhas,
frutos, pássaros, filhotes e toda a vida ruprestes. Leu o que
surgira a luz do iluminado dia. Os ossos palavras soltas
formavam e determinavam pelo espírito da voz o que seriam
no solo que a vida preparava nas primícias do barro. E verbo
se fez, no óbvio. No tempo em que gramíneas esparramavam
árvores com atitudes. Uma adolescente refugiada na caverna
primitiva pintava com sucos de ervas bisões e a figura de seu
amado caçando, o que seria presente. Acariciando o ventre
avantajado, iniciou um pensamento. O cérebro expandiu-se.
A linguagem de humana jorrava sensibilidade. Firmou-se no espaço imagem.
No vento formou-se leve aragem que molhou as bocas
ressequidas. Do sopro, a palavra surgiu relâmpago até ao
interior do que se pensava feto.
Nem ovo e nem galinha. A vida prenhe de luz enredou-se
lúcida, na perfeição do mistério.
Os ossos voltaram a ser gente. Aos olhos do mundo, um abissal segredo.


( In.: SALLES,Vanda Lúcia da Costa. UNIVERSO SECRETO ( Entre o Abismo e a Montanha),Virtualbook,MG:2011)

domingo, 25 de setembro de 2011

POESIA: ALÉM DA FLOR DO MARACUJÁ- VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


Foto: Chantal Foucault (França)



ALÉM DA FLOR DO MARACUJÁ


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Viajei em tuas lembranças
sonhei coisas,
que já ninguém dá o valor merecido
como esta flor de maracujá
adormecida neste livro
que guardo para ti
um dia
abrir...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

HOMENAGEM: NEM NAVIO - JORGE BARBOSA- CABO VERDE


NEM NAVIO


JORGE BARBOSA (CABO VERDE)


Nem navio nem sombra de nuvem no mar
para um adeus da largada...


Esta saudade infinita
é uma ilusão que se disfarça


grita
que a dor passa!


- Saudade é voz ancorada...



VOCÊ: BRASIL



Eu gosto de você, Brasil,

porque você é parecido com a minha terra.

Eu bem sei que você é um mundão

e que a minha terra são

dez ilhas perdidas no Atlântico,

sem nenhuma importância no mapa.

Eu já ouvi falar de suas cidades:

A maravilha do Rio de Janeiro,

São Paulo dinâmico, Pernambuco, Bahia de Todos-os-Santos.

Ao passo que as daqui

Não passam de três pequenas cidades.

Eu sei tudo isso perfeitamente bem,

mas Você é parecido com a minha terra.



E o seu povo que se parece com o meu,

que todos eles vieram de escravos

com o cruzamento depois de lusitanos e estrangeiros.

E o seu falar português que se parece com o nosso falar,

ambos cheiros de um sotaque vagaroso,

de sílabas pisadas na ponta da língua,

de alongamentos timbrados nos lábios

e de expressões terníssimas e desconcertantes.

É a alma da nossa gente humilde que reflete

A alma das sua gente simples,



Ambas cristãs e supersticiosas,

sortindo ainda saudades antigas

dos sertões africanos,

compreendendo uma poesia natural,

que ninguém lhes disse,

e sabendo uma filosofia sem erudição,

que ninguém lhes ensinou.



E gosto dos seus sambas, Brasil, das suas batucadas.

dos seus cateretês, das suas todas de negros,

caiu também no gosto da gente de cá,

que os canta dança e sente,

com o mesmo entusiasmo

e com o mesmo desalinho também...

As nossas mornas, as nossas polcas, os nossos cantares,

fazem lembrar as suas músicas,

com igual simplicidade e igual emoção.



Você, Brasil, é parecido com a minha terra,

as secas do Ceará são as nossas estiagens,

com a mesma intensidade de dramas e renúncias.

Mas há no entanto uma diferença:

é que os seus retirantes

têm léguas sem conta para fugir dos flagelos,

ao passo que aqui nem chega a haver os que fogem

porque seria para se afogarem no mar...



Nós também temos a nossa cachaça,

O grog de cana que é bebida rija.

Temos também os nossos tocadores de violão

E sem eles não havia bailes de jeito.

Conhecem na perfeição todos os tons

e causam sucesso nas serenatas,

feitas de propósito para despertar as moças

que ficam na cama a dormir nas noites de lua cheia.

Temos também o nosso café da ilha do Fogo

que é pena ser pouco,

mas — você não fica zangado —

é melhor do que o seu.



Eu gosto, de Você, Brasil.

Você é parecido com a minha terra.

O que é é tudo e à grande

E tudo aqui é em ponto mais pequeno...

Eu desejava ir-lhe fazer uma visita

mas isso é coisa impossível.

Eu gostava de ver de perto as coisas

espantosas que todos me contam

de Você,

de assistir aos sambas nos morros,

de esta cidadezinha do interior

que Ribeiro Couto descobriu num dia de muita ternura,

de me deixar arrastar na Praça Onze

na terça-feira de Carnaval.

Eu gostava de ver de perto um lugar no Sertão,

d de apertar a cintura de uma cabocla — Você deixa? —

e rolar com ela um maxixe requebrado.

Eu gostava enfim de o conhecer de mais perto

e você veria como é que eu sou bom camarada.



Havia então de botar uma fala

ao poeta Manuel Bandeira

de fazer uma consulta ao Dr. Jorge de Lima

para ver como é que a poesia receitava

este meu fígado tropical bastante cansado.

Havia de falar como Você

Com um i no si

— “si faz favor —

de trocar sempre os pronomes para antes dos verbos

— “mi dá um cigarro!”.



Mas tudo isso são coisas impossíveis, — Você sabe?

Impossíveis”.



***************************************



JORGE BARBOSA: Jorge Vera Cruz Barbosa nasceu na ilha de Santiago de Cabo Verde em 22 de Maio de 1902. Fez os seus estudos primários na cidade da Praia e veio depois para Lisboa, onde estudou até ao 3° ano. Regressa em seguida para Cabo Verde, continuando os seus estudos até ao 5° ano.

Aos dezoito anos começa a trabalhar na Alfândega de São Vicente. Percorre quase todas as ilhas em serviço, para onde é transferido por várias vezes. Aposentou-se na ilha do Sal, em 1967, com sessenta e cinco anos, com a categoria de director de alfândega.

Em Setembro de 1970, já bastante adoentado do coração, vem para Portugal tratar-se, falecendo três meses depois, em Janeiro de 1971.

Vida sem grandes sobressaltos e limitada à fronteira marítima que inspirou tantos dos seus poemas. No entanto, profunda e imensa em sonhos e em viagens imaginadas que jamais realizou.

Jorge Barbosa publicou em vida três livros: Arquipélago (1ª edição em Dezembro de 1935, sob a égide da Editorial Claridade), Ambiente (1ª edição em 1941, Praia, Minerva de Cabo Verde) e Caderno de um Ilhéu (1ª edição em 1956, Lisboa, Agência Geral do Ultramar). Postumamente, em 2002, a sua Obra Poética foi reunida pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, onde se acrescentou três livros inéditos, ordenados pelo poeta: I – Expectativa; II – Romanceiro dos Pescadores; III – Outros Poemas. Nestes três livros encontram-se alguns poemas que foram apresentados na Poesia Inédita e Dispersa de Jorge Barbosa, publicada, em 1993, pelas Edições ALAC. Os que restam e que ficaram de fora dos três livros inéditos foram incluídos igualmente numa parte IV com o título Poemas dispersos. Incluem-se ainda, na parte V, cinco poemas em crioulo.

Deu a sua colaboração literária a revistas e jornais da época, como Presença, Claridade (quer nos três primeiros números, quer nos seis restantes da 2ª fase), Cadernos de Poesia, Diabo, Atlântico, Mundo Português, Aventura, Movimento, Mensagem (CEI), Notícias de Cabo Verde. Mais regularmente, a sua colaboração foi para o Boletim de Cabo Verde, durante vários anos, não só com poemas, como também com as crónicas de São Vicente e artigos vários.




http://lusofonia.com.sapo.pt/jorge_barbosa.htm

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/cabo_verde/jorge_barbosa.html

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ATENÇÃO!!!! AOS AMIGOS POETAS, PINTORES, EDUCADORES E DEMAIS ARTISTAS



Foto: IRP.GROUP




O NOSSO SITE MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO ESTÁ AGORA ESTÁ EM :


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ou
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E NOSSA LOJA É:

VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES - MEI
EVENTOS( CAFÉ LITERÁRIO) E VENDAS DE OBJETOS DE ARTES ( LIVROS, TELAS PICTÓRICAS, ESCULTURA, POESIAS, ETC)

ALÉM DE UMA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA:
MARIA AMARAL FERREIRA ( MARIA SALLES )- IN MEMORIAM

SITUA-SE:

AVENIDA MARICÁ, Nº 3314- LOJA
ALCÂNTARA- SÃO GONÇALO - RJ
BRASIL
CEP: 24.710.007

sábado, 13 de agosto de 2011