segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ATENÇÃO!!!! AOS AMIGOS POETAS, PINTORES, EDUCADORES E DEMAIS ARTISTAS



Foto: IRP.GROUP




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sábado, 13 de agosto de 2011

domingo, 7 de agosto de 2011

HOMENAGEM: UMA CRÔNICA DE NATAL- RAYMUNDO NETTO (BRASIL)*



Foto: Bandeira do Brasil



Foto; Raymundo Netto (Brasil)





UMA CRÔNICA DE NATAL



RAYMUNDO NETTO (BRASIL)


Não sei vocês, mas eu nunca gostei do Natal. Acho uma data muito triste, deprimente, talvez por isso, um dia, decidi que só me casaria se fosse num Natal. Assim o fiz!
Nunca escondi de ninguém esse meu desânimo natalino, a vontade de fugir de festinhas de confraternização, amigos secretos, jingle bells e coisas assim. Penso que, justamente por isso, é que me acontecem coisas como a que revelarei agora para vocês.
Uma tia, semana passada, trouxe a minha casa, emprestado, um relógio de parede — com gabinete de carvalho escurecido, pêndulo dourado e umas raladurazinhas no mostrador de algarismos romanos — que pertenceu a meus avós. Desde menino era louco por aquele relógio... Pois bem, na madrugadinha, acordei com o seu sonoro gemer de horas. Na casa pequena o som reverberava. Como parecesse não parar nunca, pensei: "Será que travou?"
Ao chegar ao corredor, o susto: uma figura esfumaçada, de olheiras sulcadas e cavanhaque revoltoso, saía da portinhola de vidro do relógio e argentava, num clarão, a sala:
— Ebenezer! Ebenezer! — berrava em tom gutural.
— Ebenezer? Está falando comigo?
— Sim, seu tolo insensível! Não lembra mais de mim? Marley, Boz Marley!
— Não, seo Boz, pode voltar para o seu relógio... Ligação errada!
Ele não me dava ouvidos, ou não os tinha, e continuava como numa cantiga de grilo:
— Ebenezer, eu sou o espírito do Natal e o levarei para conhecer o Natal do passado, do presente e do futuro. Você precisa se arrepender já, enquanto ainda há tempo, senão...
Arrependimento? Nem precisava, coleciono tantos, tantos... Mas ele não me ouvia. Enlaçou meu pescoço com as pesadas correntes que arrastava e, como por encanto, tudo em minha sala pôs-se a desaparecer: o sofá velho (este, eu nem liguei), a tevê, a cadeira de balanço e até a empoeirada árvore de natal onde, desde o ano passado, o pisca-pisca deixara de funcionar. Tudo desapareceu dando lugar a calçadas, prédios e um renque de postes: estávamos na rua!
O Natal do passado
Reconheci o Palacete de Carvalho Mota, antigo prédio da Inspetoria das Secas: era a rua General Sampaio, centro da cidade.
Percebi que, na esquina, um pequeno terreno amurado atraía várias crianças. "O que está acontecendo ali?", perguntei ao Boz. "Você quer saber? Vamos lá, então." —, arrastou-me.
Dali de cima, podíamos ver um senhor moreno — Antônio de Paula Barros, disse-me o Boz — suando às bicas por detrás de uma lapinha. Na verdade, era uma espécie de cidade em miniatura, toda mecanizada, onde se via um trem com rostinhos de passageiros que saiam e se escondiam rapidamente, automóveis, lavadeiras, soldados marchando, a procissão, operários numa fábrica, serenatistas ao pé de um sobrado, um cata-vento rangedor, o engenho, o carrossel e sinos de igreja a badalar numa ilusão diorâmica sustentada a fios movidos por um velho motor, enquanto um gramofone, roucamente, tocava uma antiga melodia natalina.
Dois cisnes cruzavam o espelho margeado pela areia dando a impressão de uma lagoa. Próxima, e no centro da pequena cidade feita de papelão e latas amassadas, a manjedoura do menino Jesus era alteada por uma estrela de papel. As crianças, e mesmo os curiosos pais, riam admirados até quando acontecia algum "acidente" e o pobre Barros tinha que desmanchar aquilo tudo, puxando fios, ajeitando os bonequinhos, desentalando o trem descarrilado. "Que coisa linda"..., pensava, quando senti puxar-me o pescoço: "É hora de irmos adiante, Ebenezer!"
O Natal no presente
Num piscar de olhos, saímos do centro e fomos parar num Shopping Center, o "não-lugar" de todas as cidades do mundo. O espírito não parecia tão severo quanto antes. Sentou-se embaixo de uma fonte e observava as pessoas comprando, comprando, comprando. Num canto, o trono de um Papai Noel triste — "não estaria ganhando pouco demais?" — a bater no piso com o coturno cadencioso. As pessoas entravam e saiam das lojas num corre-corre danado, indiferentes à torre de concreto que crescia, ali ao lado, por sobre um tapete de mangue. Elas conferiam listas, endividavam-se, discutiam, falavam que tinham de ir para a festa de Fulano, tinham que comprar o presente para Ciclano e tinham mais outras tantas coisas para fazer, mas, o que queriam mesmo, era largar tudo isso e assistir ao show da dupla chorosa que iria tocar no reveillon naquele hotel de luxo... "Mas com quem iriam deixar as crianças? Ah, elas atrapalhavam!"
— Já vi o bastante, e você? — sentenciava o espírito.
— Eu não sei, para mim parece tudo tão normal. Quer dar uma passadinha na praça da alimentação, não, espírito? — nem me respondeu!

O Natal no Futuro
Estávamos na praça do Ferreira, foi o que o Boz me disse, eu não a reconheci. Aliás, nem tinha mais esse nome. No meio dela, ao invés da Coluna da Hora, um imenso Jesus de fibra todo iluminado, braços abertos e olhos de martírio, girava enquanto abria a bocarra para receber as moedas que as pessoas lhe lançavam. O mais impressionante era que aquelas pessoas não tinham face, acredita? Verdade... Não tinham olhos, narizes ou bocas, e, às costas, via-se uma pronunciada chave de corda que as impulsionava, maquinalmente, a seguir em frente com suas roupas, sapatos, bolsas e cabelos iguais. A diversidade tinha ido para o espaço, assim como as árvores, os rios, lagoas, pássaros e os animais. O céu embaçava visto através de uma redoma de vidro; o piso e grama emborrachados, os jardins de plástico e alumínio. Família? Ninguém sabia o que era isso. Filhos, só de incubadeiras! Não sabiam pensar, repetiam apenas. Moravam sozinhos em lofts. Nem sei se esse povo todo estava ali ou eram apenas imagens holográficas:
— Consumismo demais, desperdício demais! Só ganância, egoísmo, vaidade, violência, exploração e muita mentira! Então, Ebenezer, você está convencido de que precisa mudar?
— Sim, espírito... Tenho que mudar e voltar a ser o Raymundo Netto novamente. Eu não sou esse tal Ebenezer, criatura! Vossa fantasmagoria se enganou feio. Quero mais ver nada, não!
— Sério? Não é o Ebenezer Scrooge? — olhou para um pedaço de papel — Homessa, não é a primeira vez, em minha divisão, que digitam o CEP errado. Secretárias! Mil perdões, foi mal!
Dizendo isso agitou os braços e, de repente, eu estava novamente em minha casa.
De volta...
No silêncio da sala, o sol já despontava. Iria deitar-me, quando olhei para a árvore de natal apagada. Lembrei: basta apenas uma das lâmpadas do pisca-pisca queimar para que todas as outras percam a sua função. Assim como as pessoas... Devagar, troquei a pequena lâmpada, e, toda ela voltou a brilhar! Sentei para admirar a dança das coloridas piscantes que tocavam uma musiquinha parecida com a da lapinha do velho Paula Barros. Pareciam me dizer: nós não estamos sozinhos e temos que comemorar todos os nossos dias. Feliz Natal, amigos e ledores!



Obs.: Texto baseado em Um Conto de Natal de Charles "Boz" Dickens (1812-1870)



*RAYMUNDO NETTO :Escritor, designer, quadrinhista e produtor cultural. Autor do romance "Um Conto no Passado: cadeiras na calçada" (IMPRECE), ganhador do I Edital de Incentivo às Artes da SECULT/CE (2005), e dos infanto-juvenis "A Bola da Vez" (2008) e "A Casa de Todos e de Ninguém" (2009), ambos pelas Edições Demócrito Rocha. É cronista convidado do Caderno Vida e Arte do jornal O POVO há três anos. Atualmente, é coordenador editorial da SECULT/CE.


( Texto originalmente publicado no jornal O Povo/ www.opovo.com.br)

domingo, 31 de julho de 2011

POESIA: AMIGO MEU- VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Foto: Trem local em Vilassar de Mar (Espanha), por Robby Muñoz.





AMIGO MEU



De Vanda Lúcia da Costa Salles(Brasil)

Ao JOAN BENAVENT (Espanha)

1


elegi-o do profundo de meu ser... Em uma noite madura.


2


O voo poético se fez oblonga de estrelas
Livre
na arte do encontro.



3


Jazz/palavras em doce mirar, amigo meu
O seu canto brejeiro de bem-te-vi
A iluminar o meu ser
Na densa escuridão do silêncio contemporâneo... É ímpar!




4


Dei cordas ao meu coração
e ele retribuiu-me com ardor
enlaçou-me nessas fibras delicadas
que a amizade floriu
(como só ela sabe o tom),
dessa maneira singular,
entre poesias& prosas & críticas literárias,
para despertar através de nossas bocas
um dos enigmas da vida.

5
E é sempre a utopia a aliviar as cicatrizes!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

HOMENAGEM: VAMOS SOBRE EL SILENCIO - SILVIA LONG-OHNI (ARGENTINA)


Foto: Silvia Long-Ohni (poeta argentina) em Rio das Ostras-RJ-Brasil




VAMOS SOBRE EL SILENCIO
SILVIA LONG-OHNI (ARGENTINA)


Vamos sobre el silencio, Hermano.
Las hojas ya no crujen debajo de tus pies
Y el rio sigue inválido esperando Del outro lado de la via
Como si nuestro juego no hubiera terminado.
Ya vês,
La sombra de mi sombra, nuestras sombras
Que querían crecer inútilmente
Recostadas em este breve tiempo
Contra esse pino azul y los naranjos
Como si el sueño de ser grandes
Fuera tan imposible como perder la infância
Y perder el camino que nos llevaba al rio
Y el mismo rio que ya se há devorado
Esse asombro tan nuestro, nuestro insomnio.

Como um perro perdido busco el rastro
Para volver a casa
Y encontrarte.


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Amig@s míos, aunque el Día del Amigo, algo arbitrario, porque los días del Amigo han de ser todos los de nuestra vida, haya pasado ya, no quería dejar de hacerles llegar estas breves palabras y reflexiones nacidas de mis lecturas, de mis reflexiones y, fundamentalmente, de mi corazón.

"Mi amor es mi peso; por él soy llevado a dondequiera que soy llevado"
San Agustín (Confesiones, XIII, 9)

Por mí tengo que sólo quien es capaz de experimentarse a sí mismo como persona en el más pleno y total de los sentidos es capaz de comprender al otro y que ello nos conduce a construirnos recíprocamente. Esta comprensión, que necesariamente se caracteriza por la gratuidad, es para mí el pilar fundamental de lo que entiendo por Amistad, sentimiento necesario que nos permite llegar a una completad humana recíproca.
Entiendo la Amistad como un particular sentimiento de Amor, sentimiento que es la anticipación de la realización conjunta de dos subjetividades. Por eso es que acudo a las palabras de Aristóteles, quien sostiene que la obra del Amor es la unidad así como San Agustín nos advierte que el Amor es la tendencia a la unidad.
Más allá, Hegel nos propone el Amor como la unidad de la identidad y de la diferencia, es decir, la unidad en la que dos subjetividades alcanzan la identificación sin que por ello se suponga la anulación de la una respecto de la otra sino que, por el contrario, la diferencia se mantenga y se perfeccione.
Por todo esto es que quisiera decirles que, para mí, la manifestación más patente de esa unidad se realiza en el abrazo, en ese abrazo pleno y sincero que en este momento les estoy enviando así como este bellísimo párrafo de mi tan amado Saint-Exupéry que, desde luego, yo no alcanzaría con mis propias palabras.


Long
Silvia

Amigo mío,
tengo tanta necesidad de tu amistad.
Tengo sed de un compañero que respete en mí,
por encima de los litigios de la razón,
el peregrino de aquel fuego.
A veces tengo necesidad de gustar por adelantado el calor prometido,
y descansar, más allá de mí mismo,
en esa cita que será la nuestra.
Hallo la paz.
Más allá de mis palabras torpes,
más allá de los razonamientos que me pueden engañar,
tú consideras en mí, simplemente al Hombre,
tú honras en mí al embajador de creencias,
de costumbres, de amores particulares.
Si difiero de ti, lejos de menoscabarte te engrandezco.
Me interrogas como se interroga al viajero,
Yo, que como todos, experimento la necesidad de ser reconocido,
me siento puro en ti y voy hacia ti.
Tengo necesidad de ir allí donde soy puro.
Jamás han sido mis fórmulas ni mis andanzas
las que te informaron acerca de lo que soy,
sino que la aceptación de quien soy te ha hecho
necesariamente indulgente para con esas andanzas y esas fórmulas.
Te estoy agradecido porque me recibes tal como soy.
¿Qué he de hacer con un amigo que me juzga?
Si todavía combato, combatiré un poco por ti.
Tengo necesidad de ti. Tengo necesidad de ayudarte a vivir.

Antoine de Saint-Exupéry




* SILVIA LONG-OHNI: Nació, vive y morirá em Buenos Aires. Su existência há sido la actividad literária. Licenciada em Historia de las Artes (UBA), antes estúdio medicina y música. Ejerció la docência y vivió la militância política. Compone música. Rastros suyos se hallan em revistas y traducciones, em prêmios numerosos y em la colaboración cercana com grandes escritores, antecedentes que se opacan ante su condición esencial de poeta, uma de las más notables de la Argentina reciente