segunda-feira, 9 de maio de 2011

PROSA POÉTICA: ALMAS PERFUMADAS- ANA JÁCOMO- (The Blowers Daughter-Damien Rice)






ATENÇÃO!!!!






ALMAS PERFUMADAS


ANA CLÁUDIA SALDANHA JÁCOMO

(Para minha avó Edith)



Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas,pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Costumo dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia. Minha avó era alguém assim. Ela perfumou muitas vidas com sua luz e suas cores. A minha, foi uma delas. E o perfume era tão gostoso, tão branco, tão delicado, que ela mudou de frasco, mas ele continua vivo no coração de tudo o que ela amou. E tudo o que eu amar vai encontrar, de alguma forma, os vestígios desse perfume de Deus, que, numa temporada, se vestiu de Edith, para me falar de amor.




Blog: http://anajacomo.blogspot.com

E-mail: anajacomo@terra.com.br
http://www.releituras.com/ne_acdjacomo_almas.asp


ANA CLÁUDIA SALDANHA JÁCOMO(1966): é carioca, formada em Jornalismo, funcionária pública, e absolutamente enamorada, desde criança, pelo exercício de escrever. O estilo predominante em seus textos é a prosa poética, a exemplo de “Almas Perfumadas”, que publicou, ainda inédito na internet, no Releituras, quando o site estava inaugurando o espaço para novos escritores. Na década de 90, participou com contos e crônicas das antologias "Hoje", "Agora" e "Já", resultantes do trabalho da Oficina Literária do poeta Cairo Trindade, a qual freqüentou por cerca de um ano. Em 2001, lançou um livro independente intitulado “Parto de Mim”, impresso na Fábrica de Livros da SENAI, com duas tiragens já esgotadas. Apaixonada por música, desde sempre, no finalzinho de 2006 começou também a percorrer o caminho da composição musical. Gosta de dizer que escrever é o seu trabalho mais lúdico. Seu jeito preferido de prece. Sua maneira predileta de levar o coração para pegar sol.







THE BLOWER'S DAUGHTER


DAMIEN RICE


And so it's
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it's
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...

And so it's
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it's
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind...
My mind... my mind...
'til I find somebody new




A FILHA DO VENTO

Composição: Damien Rice

(Tradução em Português)


E então é isso
como você disse que seria
A vida corre fácil pra mim
A maioria das vezes
E então é isso
A história mais curta
Sem amor, sem glória
Sem herói no céu dela

Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de Você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos...

E então é isso
Como você falou que deveria ser
Nós dois esqueceremos a brisa
A maioria das vezes
E então é isso
A água gelada
A filha do vento
A aluna rejeitada


Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos...

Eu disse que te detesto?
Eu disse que quero deixar
Tudo para trás?

Não consigo parar de pensar em você
Não consigo parar de pensar em você
Não consigo parar de pensar em você
Não consigo parar de pensar em você
Não consigo parar de pensar em você
Não consigo parar de pensar em você
Meus pensamentos...Meus pensamentos...
Até conhecer uma nova pessoa.



DAMIEN RICE(Celbridge, 7 de dezembro de 1973) é um cantor, instrumentista e compositor irlandês. Ex-integrante da banda Juniper. Embora com poucos álbuns gravados e sem fazer muitos shows por ano, tornou-se mundialmente conhecido com o sucesso "The Blower's Daughter" que integrou a trilha sonora do filme Closer, Filho de Maureen e George Rice, Damien Rice nasceu em 7 de dezembro de 1973, em Celbridge, no condado de Kildare, no interior Irlanda. Durante a infância, passava longo tempo ao ar livre, em companhia de seu cachorro de estimação e pescando. O contato com a música em casa não era grande, mas seu interesse por música sim.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

MOMENTO DISCENTE: ENTREVISTA AO POETA ANTÓNIO GONÇALVES (ANGOLA)



Foto: António Gonçalves (Angola)





“Poesia/ não se aprende/ na escola/ o poeta é/ a escola/ a escol(h) a/ do poeta/ é uma sacola/ sem pega/ que se apega/como cola/des colando/palavra da sacola/escola/que o poeta doa”




ENTREVISTA DE ALUNOS BRASILEIROS AO POETA DE ANGOLA ANTÓNIO GONÇALVES-ANGOLA



A PARTIR DE AULAS EM LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURAS EM LÍNGUA PORTUGUESA, DA PROFª. VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES-BRASIL-2008





1ª.) SAULO LUIS LIMA DA SILVA : Senhor António Gonçalves, qual foi o seu primeiro livro escrito? E por que o escreveu?

R: O meu primeiro livro escrito chama-se “Cenas que o museke conhece” e foi escrito em 1978. Todavia, só viria a ser publicado em 2003 em Cuba. Escrevi esta novela primeiro como tributo a um grupo de patriotas do bairro onde nasci em que também fez parte um irmão meu e por outro lado, como homenagem aos “Musekes” do meu país já que constituem laboratórios vivos de várias amostras da identidade cultural.

1ª.) SAULO LUIS LIMA DA SILVA : Senhor António Gonçalves, qual foi o seu primeiro livro escrito? E por que o escreveu?

R: Um pai gosta dos seus filhos de forma igual. Em determinados momentos identifico-me mais com algum poema mas tempo depois acabo por sentir o mesmo com outro poema e assim sucessivamente

3ª.) MARLON PEREIRA : Você gosta do que faz ou alguma vez pensou em desistir?

R: Gosto do que faço. Comecei a escrever poesia aos 13 ou 14 anos e escrevi a minha primeira novela aos 18 anos daí em diante sempre estive comprometido com a literatura directa ou indirectamente.



4ª.) SABRINA DE PAULA SIMÕES : Poeta, você gostaria de escrever livros para crianças ou adolescentes? Por quê?

R: Escrever para crianças creio que não tenho vocação mas para adolescentes talvez um dia possa tentá-lo.







5ª.) WEVERTON VIEIRA BORHER : Como se sentiu ao construir o seu primeiro poema ? E o que é escrever em língua portuguesa?

R: Os primeiros poemas que escrevi foram de inspiração religiosa. Na altura, frequentava a igreja católica do meu bairro, “Bairro Popular”, hoje “Neves Bendinha” em Luanda onde nasci. Naturalmente, senti-me muito emocionado e feliz. Escrever en língua portuguesa para mim tem sido um exercício interessante porque os autores africanos, sempre têm a influência de uma língua africana, correspondente às áreas geográficas onde nasceu. No meu caso sinto a influência da língua Kimbundu que fala a minha mãe.



6ª.) THULLYANA : Como você se situaria em relação a poesia em língua portuguesa no mundo contemporâneo? Por quê?

R: Não sou a pessoa ideal para responder a esta pergunta. De todos modos, na minha modesta opinião, como poeta contemporâneo tenho dado o meu contributo para o enriquecimento e divulgação da poesia de língua portuguesa. Vivendo sete anos em Cuba publiquei mais de cinco livros bilingues, Português-Espanhol e faço parte de várias antologias de poesia publicadas em Angola, Cuba e Brasil.




7ª.) MIDIAN MAIA DE FARIA : As pessoas lendo o seu poema ou ouvindo-os ficam felizes?

R: Sim


8ª.) PAULO VINICIUS FERNANDES RANGEL : Senhor(es) poeta(s), sua obra é inspirada no povo Angolano ou no Continente Africano?

R: A minha obra é inspirada no povo angolano. Acontece que Angola é um país africano, daí que a barreira entre o meu país e o continente, é demasiada estreita, ou talvez não exista .




9ª.) RAIANNY SOARES SIQUEIRA : Como aconteceu em sua vida o encantamento da poesia ?

R: Aconteceu de forma espontânea. Eu vivo frequentemente momentos de inspiração e a única forma de acalmar-me é descarregar o que sinto numa folha de papel. As causas da inspiração são de vária ordem e a meu ver não têm explicação científica.


10ª.) KEVIN DE MORAES BORHER : Fale-nos sobre o fazer poético de “Transparências”? Como foi construí-lo?

R: “Transparências” (Livro) é considerado pela crítica como sendo até o momento o livro de poesia mais acabado esteticamente e com melhor elaboração do ponto de vista temático. Antes de Transparências havia publicado em 1996 “Adobe vermelho da Terra”, e o livro a que nos referimos saiu ao lume em 2004. Passaram precisamente oito anos de muita leitura e exercitação. “Transparências” é uma construção de poemas isolados. Os grandes temas deste livro são: a reivindicação da paz e o fim da guerra em Angola e no mundo, a luta pela igualdade social, o desenvolvimento harmonioso do planeta, a luta pela afirmação do continente africano, entre outros temas sem esquecer o amor.



11ª) RAFAELA FACUNDO CASTRO : Você prefere fazer seus poemas quando está triste ou alegre?

R: Quando estou triste.



12ª.) RAYANE CARLOS CORTES : Como você descobriu o seu talento? A Escola influenciou-o ?

R: Descobri o meu talento de forma espontânea mas depois de escrever “Cenas” dei a ler ao meu professor de português e ele gostou do livro daí ter posto na minha mente que um dia seria escritor. Naturalmente a escola influenciou-me muito.


13ª.) NAYARA TERRA SOUZA : Qual foi o seu livro que mais fez sucesso?

R: Até ao momento creio ter sido “A linguagem dos pássaros e dos sonhos” que esgotou praticamente em seis meses. Foi editado em Cuba pela Editoria Arte e Literatura e foi impresso na Colombia.

14ª.) CRISTIANE CESÁRIO : Em que momento você descobriu que gostava de fazer poemas? E seus familiares gostaram da idéia de ser poeta?

R: Ganhei maior conciência sobre a poesia depois de tomar contacto com a Brigada Jovem de Literatutra de Luanda. Mas o engajamento militante só viria acontecer nos primeiros anos da década 90. Os meus familiares apoiaram a ideia de ser poeta.






15ª.) ALINE DA SILVA NASCIMENTO : O(s) Senhor (es) pensa(m) em fazer uma autobiografia?

R: De momento não tenho pensado em escrever uma autobiografia, talvez quando tenha maior idade o faça.


16ª.) LUAN ARAUJO DE SOUZA : Como foi sair pela primeira vez do seu país, principalmente, para falar os seus poemas ?

R: A primeira vez que sai do meu país foi para ir precisamente ao Brasil em Salvador de Bahia. Foi uma experiência interessante, adorei

17ª.) PAULO VINÍCIUS FERNANDES RANGEL : Qual de sua obra o marcou mais, a ponto de deixá-lo rodopiando de contente ?

R: Até ao momento um livro inédito que se chama “Renascer sem corpo”.



18ª.) JHÉSSICA THAYANE CHAGAS VIEIRA : Em seu ponto de vista, como está a poesia hoje em seu país? Existe uma Poesia Negra Contemporânea?

R: A poesia no meu país está estagnada. Depois da Geração dos Novíssimos onde faço parte já não surgem grandes talentos. Existe uma poesia angolana contemporânea. É possível que dentro dela continuem a existir poetas que defendam a negritude. Creio que enquanto existir discriminação contra o negro, haverá sempre uma poesia a denunciar essa situação

19ª.) ANA CAROLINE RODRIGUES B. DOS SANTOS : Para vocês poetas, qual a importância da poesia na formação de uma pessoa ? Por quê ?

R: A poesia pode influenciar na formação de uma pessoa pelo valor humanístico que a mesma defende e promove. A poesia possibilita ao ser humano aventurar-se em mundos onde a ciência ainda não consegue chegar ou explicar, esse é um dos grandes atributos da poesia. Porquê? Porque o ser humano existe para crescer espiritualmente e a poesia pode ser um meio para essa realização.



20ª.) SUELLEN GOTTGTROY ANTUNES : Poesia é uma forma de aprendizagem? Por quê?

R: A poesia é uma forma de aprendizagem e de crescimento individual, porque o exercício poético como acto isolado, é capaz de abrir a mente humana para estágios nunca antes sentidos, e isso gera na pessoa um crescimento mental, e por vezes também espiritual.


21ª.) RAYANE CARLOS CORTES : Como chegou ao ponto de publicar o primeiro livro? O caminho foi difícil ou fácil?

R: Tive a sorte de publicar o meu primeiro livro “Gemido de pedra”, enquanto funcionáro de uma cadeia hoteleira. Trabalhava então como Sub-director de um hotel em Luanda e o administrador da Empresa gentilmente patrocinou o primeiro e o meu segundo livro. Estou eternamente grato a essa pessoa de nacionalidade portuguesa.


22ª.) MARCOS JUNIOR NERI DE SOUZA : Como é a sua vida escrevendo poesia? E como é conceber entrevistas?

R: Eu faço uma vida normal como qualquer cidadão. O que passa é que os poetas sentem os problemas da sociedade de forma mais ardente que as pessoas que nao o sao. Dou poucas entrevistas, apenas quando creio ser nencessário ou quando publico um livro novo.



23ª.) ANDRÉ JUNIOR MONTEIRO BATISTA : Que poetas ou escritores influenciaram em sua carreira ? E o que você teria para dizer aos jovens poetas que iniciam?

R: Os poetas que influenciaram a minha carreira foram Agostinho Neto, Viriato da Cruz e António Jacinto de Angola. Do Caribe Nicolás Guillén, do Brasil Carlos Drummond de Andrade e de Portugal Fernando Pessoa. Como prosador fui influenciado por Jorge Amado, Dostoievski e Leon Tolstoi. Aos jovens poetas que iniciam devem ler bastante e não ter pressa em publicar. Fazer literatura é uma tentativa de aportar algo novo neste imenso edifício. Se não temos a certeza de que estamos a produzir alguma novidade será melhor continuar a trabalhar os textos.



24ª.) AMANDA PINHEIRO DO NASCIMENTO : Com quantos anos você descobriu que queria ser poeta ? E a quem você é agradecido?

R: Descobri que queria ser escritor depois de escrever a novela aos 18 anos. Decidi que seria poeta depois de publicar “Gemido de pedra” em 1994, tinha então 34 anos. Estou agradecido ao poeta angolano Lopito Feijoó que me emprestou vários livros sobre teoria literária incluindo números da revista de poesia “Dimensão” que se editou no Brasil por Guido Brilharinho.








25ª.) MICHELI DE FARIA : Que escritor ou poeta brasileiro atual, você admira ? Por quê?



R: Admiro o poeta brasileiro Thiago de Melo, autor dos “Estatutos do Homem”, pelo humanismo que transpira os seus textos.



Obs.: Desde já, o nosso muito obrigada!



*Cara professora.
Com muito gosto envio-lhe as respostas ao questionário que me enviou.
Carinhosamente,
Antonio Gonçalves
quarta-feira, 26 de novembro de 2008, 22:28:04






**ANTÓNIO GONÇALVES: nasceu aos 10 de Agosto de 1960 em Luanda (Angola). Estudou Gerência Hoteleira. Realizou estudos de Linguística no Instituto Superior de Ciências da Educação.
Exerceu funções como Diretor de unidades hoteleiras de Angola. Foi Secretário Geral da União de Escritores Angolanos (UEA). Atualmente é o Conselheiro Cultural da República de Angola em Cuba.
Tem publicado os seguintes livros: Gemido de pedra (Poesia-1994), Versos Libertinos (Poesia-1995), Adobe vermelho da terra (Poesia-1996), Buscando o Homem (Seleção de poemas-2000), A África que observo com os dedos (Poema postal-2002), Cenas que o museke conhece (Novela-2003), Transparências (Poesia-2004), A linguagem dos pássaros e dos sonhos (Seleção de poemas de amor-2005), As vozes do caminho (Poesia-2005). A Quinta Estação do Tempo.
Proferiu várias conferências sobre cultura, arte e política, das quais algumas já estão publicadas em jornais e revistas de Angola e de Cuba.
É co-autor do plaquet bilingue Português-Francês, “Cacimbo 2000”, com os poetas angolanos Amélia da Lomba, João Maimona e com o poeta francês Emmanuel Tugni. Faz parte, com mais 41 poetas de Angola, da “Antologia do Mar na Poesia Africana de Língua Portuguesa do Século XX”, organizada pela investigadora brasileira Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco. O Sétimo Caminho (Poesia-2006)

sábado, 30 de abril de 2011

POESIA: UM OLHAR A MAIS... - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Foto: Praia de Carilo (Argentina)






UM OLHAR A MAIS...





VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)




e essa música preenchendo todo o espaço, até que
seu jeito e um olhar a mais, porque é Sábato
e nos propõe o Informe sobre cegos
como uma oferenda
de cíclopes
a vereda se mostra propícia a luz, e
à luz
de uma cantata em que o amor
é a essência
se confraterniza com Tolstoi, e
apenas
nos brinda com um olhar a mais...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

ATENÇÃO: GALIZA CO GALEGO ACTO PÚBLICO A PROL DA EDUCACIÓN EN GALEGO O VERNES 29 DE ABRIL NA CASA GALEGA DA CULTURA EN VIGO (ESPANHA)



Foto: Bandeira da Espanha







Foto: Bandeira de Vigo (Espanha0




Foto: Escudo de Vigo (Espanha)






Foto: Ria en Vigo (Espanha0



GALIZA CO GALEGO ACTO PÚBLICO A PROL DA EDUCACIÓN EN GALEGO O VERNES 29 DE ABRIL NA CASA GALEGA DA CULTURA EN VIGO




A Comisión Promotora Galiza co Galego, en colaboración coa plataforma Prolingua, invítao a participar no acto público a prol da educación en galego que terá lugar o venres 29 de abril, en horario de 20:00 a 21:30 horas, na Casa Galega da Cultura situada na Praza da Princesa do Concello de Vigo.

Programa:

Presentación a cargo de dona Iolanda Veloso Ríos, concelleira da Área de Xuventude, Igualdade e Normalización Lingüística do Concello de Vigo.

Relatorios:

“Razóns para educar en Galego”.
Relatorio a cargo de D. Manuel Bragado Rodríguez, licenciado en Ciencias da Educación, mestre de educación infantil e primaria, ex presidente da asociación pedagóxica Nova Escola Galega e director xeral de Edicións Xerais de Galicia.

“Linguas minorizadas europeas en proceso de normalización”.
Relatorio a cargo de D. Xosé-Henrique Costas González, lingüista, director de Normalización Lingüística e vicerreitor de Extensión Universitaria da Universidade de Vigo.

“Construíndo futuro; escolas en galego”.
Relatorio a cargo da Comisión Galiza co Galego, con información sobre o traballo desenvolvido cara a facer efectivo o noso dereito á educación en galego.

Grazas ao apoio das/os nosas/os socias/os e dos preto de 3.000 compromisos acadados do movemento popular de Galiza co Galego, podemos realizar actos divulgativos como este.

Agradeceriamos a súa asistencia a este acto, así como a divulgación deste comunicado.


O presidente.
Francisco X. López (de Limiar)

Mais información en:

http://limiargalego.blogspot.com/
Apoio económico, participación e afiliación en:
http://limiargalego.blogspot.com/p/afiliacion-cgg.html
Contactos: comisiongalizacogalego@gmail.com Telf: 629891145

Situación do lugar do acto: Casa Galega da Cultura
Enderezo: Praza da Princesa, 2, 36202 Vigo
Coordenadas de localización conforme Google Earth:
42º 14' 18.68” N / 8º 43' 32.21” O




*VIGO:

Vigo - está situado em um paraíso natural. Localizado na foz do rio que dá o seu nome e está rodeado por belíssimas praias. É a maior cidade da Galiza, com uma população de aproximadamente 300.000. A oferta da cidade é muito ampla: desportos aquáticos, shows de rock, o mercado de Peter, as Ilhas Ciés ... Em geral, devido à sua localização e tamanho, Vigo é uma cidade muito atraente como destino turístico.

Tem uma longa história. Desde as suas origens celtas e assentamento romano até ao objecto militar para os gostos de Francis Drake, Napoleão e impérios como o turco.

Hoje é uma cidade próspera, fortemente industrial, com actividades tão importantes como a pesca, na zona franca, a indústria automóvel, a pedra e a construção naval.

Como paraíso natural é inevitável visitar as Ilhas Ciés, pertencente ao Parque Nacional das Ilhas Atlânticas, a praia de Samil ou na baía de San Simón. Na cidade pode passear pela cidade velha, visitar o mercado de A Pedra e a Catedral de Santa Maria. O Museu de Arte Contemporânea, Marco, e o Museu do Mar de Galicia. O Monte de O Castro se encontra no centro da cidade e da Porta do Sol, Ponte de Rande, que cruza o rio de um lado para o outro, é um emblema da cidade e oferece uma vista maravilhosa.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

MOMENTO DISCENTE: SONETO - BEATHRIZ TELES DOS SANTOS (BRASIL)




Foto: África




SONETO



BEATHRIZ TELES DOS SANTOS (BRASIL)



Eu estou amando! Uma
mulher perfumada e
amorosa
Ela sabe o caminho certo


Eu estou amando! uma
mulher que toma decisões
certas na vida e ela é sincera
E possui um coração de ouro


Eu estou amando! uma
mulher determinada e
com um sonho


Eu estou amando! uma
mulher linda e cheirosa
Mas ela não sabe se gosta de mim

segunda-feira, 25 de abril de 2011

CONTO: A MULHER QUE DESCOSTUROU O CONGRESSO NACIONAL - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Foto: O Chamado das Musas- óleo/acrílico s/tela, Vanda Lúcia da Costa Salles




A MULHER QUE DESCOSTUROU O CONGRESSO NACIONAL


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)





A forma do bordado tecia....
Caminhava ao longo da praia e focava o infinito, na vertical.
A profunda ressaca parecia insurgir-se contra tudo e todos em seu caminho devorador para depois arrebentar-se toda de gosto nas encostas dos enormes paredões, na orla das pedras das tartarugas e transformar-se em branquíssimas espumas que se infiltravam na areia banhando as desovas ou entre as algas dos rochedos impenetráveis.
Ousada, a mulher única, teimava em escrever e ler, ali, destemida no traço.
O caxarelo e sua amada cria vinham mansamente aprender com ela a ouvir e ver estrelas aquietadas por entre os corais emocionados.
Os de bicudos chapéus diziam que essa mulher lia para os peixes, porque uma ternura imensa acompanhava-a no dia e na flexibilidade do instante, quando – entre o breve e o infinito -, ela havia devorado o congresso nacional. Descosturando toda a sensatez do politicamente correto.
Primeiro, desfiou a urdidura. Depois, uma por uma, a trama. Destecendo a linha, fio por fio. Remodelou-o. Como boa tecelã, colocou em alto relevo o patrimônio histórico ambiental e enfatizou a cultura. Do folclórico, um brilho a mais. A língua brilhante em sua forma, e em sua mais variada literatura, infinitamente lusófona.
Redesenhou o conjunto de rios, a magnífica vegetação em todos os seus matizes de verde calculados cuidadosamente, um a um, nas diferentes panelas de seu ateliê.
Bordou no sisal com angico, urucum e o açoita-cavalo, todas as cores necessárias para acentuar os minérios, as montanhas, as praias, os animais existentes e imagináveis. Um boitatá surgiu descomunal, com toda a sua força, paciência e profundidade das fiadas dum azul-escuro, entremeado de roxo e branco zinco. Desse branco, tão neutro, mas desejando harmonia em seu fulgor, entremeou-se um amarelo em todos os seus matizes. Um sol brotou, acima. Dois batuíras, alguns socós, belas piaçocas, vários irerês, surucuás-de-barriga-amarela e uns tantos martim-pescador sob um céu indescritível.
Riscado no vermelho das linhas e dos traçados amarelecidos de um devaneio lilás brotado num cipó-de-ouro, em maracujás-da-praia, uma família de tiziu estabelecia em uníssono o canto geral. Um João-de-barro a porta da casa descobria da argila seca. Bicando em revoadas o barro. Liberto de seus medos trabalhava
firme e feliz.
A vitória-régia estampava-se imperiosa. No fundo das águas profundas, um jovem pescador brincava com Kisimbi e seus cântaros, formadores das águas doces das cachoeiras e dos rios, do mundo. Perfumada, a flor de maracujá exalava-se dando nua. O cheiro insurgia-se no ar, os poros da pele latejavam-se em desejos
lasos.
Um pouco mais acima, Agorréia – a serpente sagrada-, com toda a sua divina graça e seu colorido real, seduzia Angarô, o pai arco-íris. Virado estava em seus
devaneios.


( In. Universo Secreto ( Entre o Abismo e a Montanha), Vanda Lúcia da Costa Salles)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

MOMENTO DISCENTE: RONALDO CORREIA DE BRITO- O MEU AUTOR ; THAIANE LIMA BERNARDO (BRASIL)



Foto: Ronaldo Correia de Brito (Brasil)



O MEU AUTOR EM PESQUISA




O meu livro lido chama-se O BAILE DO MENINO DE DEUS, foi publicado em 2003 e o assunto tratado é um ensinamento de como produzir uma peça de teatro com cenário e personagens. Os meus autores se conheceram no colégio e a amizade deles é de muito anos. O nome dos meus autores é: Ronaldo Correia de Brito e Francisco Assis Lima.
O Baile do Menino Deus conta a trajetória do personagem Mateus na busca da casa onde nascerá um Menino. Acompanhado de crianças, ele pretende celebrar uma festa em louvor a este nascimento. No entanto, após achar a casa, o grupo nota que a mesma está fechada. Uma série de brincadeiras se sucede, até que as portam se abrem e a festa pode finalmente começar.

O espetáculo é inspirado em manifestações da cultura popular do Nordeste, tais como o Auto de Reisado, Lapinha, Bumba-Meu-Boi, Guerreiro e Cavalo Marinho, e a trilha sonora é formada por música de concerto, coro adulto e infantil, além de solistas. O baile remete ao rico imaginário brasileiro, constituindo-se como um representativo exemplo de força da dramaturgia nacional.



*RONALDO CORREIA DE BRITO :(Saboeiro ,CE 1951). Dramaturgo, contista, documentarista, médico e psicanalista. Aos seis anos, muda-se com a família para Crato, Ceará. Aprendendo a ler através da Bíblia, com seu pai, passa a se interessar não só pela literatura como também pelas narrativas orais de sua região. Em 1969, muda-se para o Recife com o objetivo de preparar-se para o vestibular, ingressando na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, no ano seguinte. Nesse período, freqüenta o Departamento de Extensão Cultural - DEC da UFPE, dirigido pelo escritor Ariano Suassuna (1927), através do qual entra em contato com o Movimento Armorial. Mais tarde, se especializa em clínica médica e psicanálise, ofícios em que divide paralelamente às atividades artísticas. Em 1973, realiza o documentário para cinema, Cavaleiro Reisado, o primeiro de um longo trabalho dedicado ao resgate e ao estudo da cultura popular nordestina. Já em 1975, dirige o longa-metragem produzido para TV Cultura, Lua Cambará, com Assis Lima, Horácio Carelli e o músico Antônio José Madureira. Com os mesmos desenvolve o projeto teatral Trilogia das Festas Brasileiras - O Baile do Menino Deus (1987), Bandeira de São João (1989) e Arlequim (1990) -, que envolve a produção de espetáculos, discos e livros. Em 1983, dirige a peça de sua autoria Maracatus Misteriosos. Depois do lançamento do volume de contos Faca, 2003, é convidado para o cargo de escritor-residente da Universidade de Berkeley, California - EUA. Atua também na área educacional e de curadoria, além de colaborar com vários periódicos, como Terra Magazine, Bravo! e Continente Multicultural.