sábado, 9 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
HOMENAGEM: ALBERTO PUCHEU(BRASIL)*

Foto: Bandeira do Brasil

Foto: Alberto Pucheu
Poema para ser lido na posse do presidente
Ando pela calçada da rua em que moro,
em direção à Cobal, por exemplo,
onde diariamente compro alguma coisa
apenas para descansar um pouco do trabalho
cotidiano que faço em casa, e,
ao passar por uma pessoa, sou para ela
o que ela é para mim: alguém
que sobe ou desce uma rua, nada mais.
Talvez, neste momento, eu seja
também para mim e ela também para ela
o que somos um para o outro: alguém
que se esquece de onde está vindo
e aonde está indo, de seu nome, de seu trabalho,
alguém que sobe ou desce uma rua, nada mais.
Ou algo mais, ou menos, não sei, que vai
comendo o nome, o trabalho, o parentesco,
as demandas que recaem sobre nós,
largando-os pouco a pouco pelas latas de lixo
penduradas nos postes, deixando-os cair
ao meio-fio, por entre as rodas dos carros,
cumprindo o destino comum de todos dejetos.
Andando pelas calçadas, subindo-as
ou descendo-as, indo ou voltando não importa
para onde ou de onde, enquanto andamos,
desta vez não temos um encontro marcado
com nós mesmos. Mais persistentes
ou mais ausentes, mais barulhentas ou silenciosas,
diversas vidas vêm e vão em um só corpo,
aparecendo sempre alguma quando alguma
é requisitada. Mas há momentos em que,
entre a casa e os ofícios da cidade, entre
qualquer compra, por exemplo, na Cobal,
e o uso da compra ao chegar em casa,
antes de qualquer contrato, de qualquer direito,
de qualquer convenção, do livre arbítrio,
do estado civil, antes do tamanho dos ossos,
do formato da orelha, das impressões digitais
dos dedos, das extensões do rosto, da fotografia
em 3X4 ou em 5X7, das fotografias de frente
e de perfil, antes das imagens exclusivas da íris
e das retinas e dos escaneadores 3D,
das câmeras que nos gravam nos bancos
ou pelas ruas, antes dos DNAs guardados
em algum arquivo nacional, antes da beleza
e da feiúra, do código de barras na nuca
– com o qual sonhei ontem – disponibilizando
os corpos a uma máquina que teimasse
em reconhecê-los por um número qualquer
pelo qual jamais nos reconheceríamos,
antes desses e milhares de outros modos
de sermos apreendidos, os ócios vazios
de um corpo abandonado (uma vida nua
ou um posto de pura distração
em que os viventes se fazem esquecidos,
ou quase isto) sobem e descem uma rua,
nada mais. São corpos matáveis, como
ao fim de uma partida de futebol,
como durante um assalto, como na fila
de um hospital, como por bala perdida
ou certeira da polícia e dos traficantes,
como por acidentes, pelas drogas, pela fome...
São corpos gloriosos, como durante
uma partida de futebol, como durante
uma semana de carnaval, como em um show
de rock, em uma mesa de bar com amigos,
em um mergulho diurno ou noturno no mar,
como quando fazem amor ou quando,
mesmo sem o fazerem, se amam
ao longo da vida ou por apenas
alguns instantes. São corpos dúbios,
quando dançam o funk sob a mira
dos AR-15, quando fogem dos tiros
saltando atleticamente por telhados,
caixas d’água, correndo por becos,
quando se explodem na terra ou no ar
contra o concreto de um edifício
ou quando se jogam das alturas
do mesmo edifício. São corpos funcionais,
como nas caixas lotadas dos supermercados,
dentro das britadeiras fritados sobre o asfalto
do sol, dentro da cozinha da minha casa,
ao meu ouvido, na central de telemarketing.
São corpos... São corpos que, em algum momento,
esquecidos, anônimos, sobem e descem uma rua,
nada mais. Subindo ou descendo uma rua,
atestamos então este hiato de desconhecimento
entre o corpo abandonado e as diversas vidas
que o tentam colonizar, entre a vida nua
e as vestimentas vivas que a recobrem,
entre a vida crua e o que dela pode ser cozido,
entre a vida aberta e a vida vivida. Atestamos
a fenda deste hiato, uns emigrantes da distância
neste hiato de que não podemos nos afastar,
uns estrangeiros, uns viajantes, uns forasteiros,
uns gringos, uns bárbaros neste espaço
que se serve das palavras para falar
em uma língua estrangeira, uns índios
neste espaço, nesta picada, nesta clareira,
uns berberes e o vão do deserto esgarçando
os berberes, uns esquimós e o vazio da neve
ampliando os esquimós, uns pescadores
dispersos pela luz, tragados por este espaço
diluído entre a areia e os sóis dos Lençóis,
o espaço em que o explosivo queima
entre a genitália e a cueca do nigeriano
no avião. Atestamos este espaço das palavras
que se servem das palavras para falar.
Apátridas, não temos por pátria a língua portuguesa
nem outra nos seria natural. Nascemos
sem língua, abertos a qualquer jargão
que em nós quisesse se desdobrar, nascemos
sem povo, abertos a qualquer bando
que em nós quisesse se desdobrar,
nascemos sem lei, uns bandidos, uns canhotos,
uns lobisomens, uns burros, uns jumentos,
umas vacas, umas piranhas, uns veados,
umas éguas, umas antas, uns porcos,
umas mulas, umas bestas, umas baleias,
umas cachorras, uns tubarões, uns animais,
uns bichos, umas bichas, umas feras,
uns selvagens, uns fora-da-lei
abandonados a qualquer lei
que nos pudesse governar, abandonados
a qualquer lei que tivéssemos de desregrar.
Sobreviventes, descendemos de uma classe
de épocas perigosas praticamente esquecidas,
exilada da cidade dentro da cidade,
e, mesmo que ser, estar, saudade, cidade,
floresta, rio, mar, sertão, natureza
e outras palavras nos digam intimamente respeito,
navegamos, apátridas, a abertura, o sem,
o não, o nem, o a- que não nos largam.
Por mais que não queiram, trazemos conosco
os espaços vazios a distorcerem as possibilidades
que cotidianamente se oferecem
do que nós somos, do que é a água
do rio, do mar, da cidade, do país,
do mundo, e, por mais que não queiram,
nossa saliva é o suor das palavras não-ditas,
e, por mais que não queiram,
misturamos o separado, trazemos conosco
a cidade e a natureza ferina, a poesia
do dedo que falta na mão do presidente.
ARRANJO PARA ESSES CAMPEÕES DA PALAVRA
Não posso ser poeta, não sei contar histórias... Se eu fosse um toureiro, faria o público acreditar que eu estava a poucos centímetros da morte, mas manteria minha margem de segurança. Foi o que fiz no ringue. Nós, lutadores, compreendemos as mentiras. O que é uma simulação? O que é pensar uma coisa e fazer outra? Os melhores garotos são aqueles que até podem tomar um murro na cara, mas são inteligentes o bastante para não o querer. Quando soa o gongo, somos apenas duas solidões. Não temos medo de apanhar, mas temos medo de perder. Uma derrota no ringue não se compara a nenhuma outra. Eu combatia com qualquer um. Não me interessava quem eram. Era simplesmente indiferente para mim. Eles me batiam, eu não me importava. Quando estou no ringue, luto pela minha vida. A luta pela sobrevivência é a única luta. Por cinco dólares, eles podiam me golpear no queixo com uma marreta. Quem já ficou dois dias sem comer poderá entender. E comer é um vício difícil de largar. Quando se luta, se luta por uma coisa: dinheiro. Acho que o campeão que eu sou hoje é pela dificuldade que eu passei. Nunca fui nocauteado. Já estive inconsciente, mas sempre de pé. Detesto afirmar isso, mas é verdade: quando começa a doer, é quando eu mais gosto deste negócio. Quando vejo sangue, fico como um touro. Sou um animal selvagem, inimigo declarado de toda a raça humana. Uns dizem que sou arrogante, outros, que preciso de uma boa surra, e outros, que falo muito. Mas eu garanto o que digo. Eu não quero nocautear meu adversário... quero golpeá-lo, me afastar e vê-lo ferido. Quero o seu coração. Ele pode fugir, mas não pode se esconder. Tento acertar na ponta do nariz do meu adversário porque tento lhe enfiar o osso no cérebro. Se abrirem minha careca, vão encontrar uma grande luva de boxe. É tudo o que sou. É disso que vivo. Celebridade? Eu? O pessoal lá de onde venho diz que eu sou um vagabundo sortudo que sabe dar umas porradas. Quando você não é mais o campeão, está sozinho. Alguns ficam insanos, outros começam a beber, pois o boxe é muito intenso, e muita gente se perde. Você agüenta até certo ponto, depois quebra. Tenho tudo de que preciso: o médico mora aí em frente, o farmacêutico trabalha na esquina; daqui, posso ver a câmara-ardente, e o cemitério é logo ali embaixo na rua.
* ALBERTO PUCHEU : Nascido em 1966, no Rio de Janeiro, Alberto Pucheu é poeta, tendo publicado Escritos da Indiscernibilidade (Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2003), A Vida É Assim (Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2001), Ecometria do Silêncio (Rio de Janeiro: Ed. 7 Letras, 1999), A Fronteira Desguarnecida (Rio de Janeiro: Ed. 7 Letras, 1997), Escritos da Freqüentação (Rio de Janeiro: Ed. Paignion, 1995) e Na Cidade Aberta (Rio de Janeiro: Ed. UERJ, 1993). Organizou o livro Poesia (e) Filosofia; por poetas-filósofos em atuação no Brasil (Rio de Janeiro: Ed. 7 Letras, 1998). É professor de Teoria Literária da UFRJ e ensaísta.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
HOMENAGEM: EDUARDO LIZALDE (MÉXICO)*

Foto; Bandeira do México

Foto: Eduardo Lizalde (México)
EL TIGRE
Hay un tigre en la casa
que desgarra por dentro al que lo mira.
Y sólo tiene zarpas para el que lo espía,
y sólo puede herir por dentro,
y es enorme:
más largo y más pesado
que otros gatos gordos
y carniceros pestíferos
de su especie,
y pierde la cabeza con facilidad,
huele la sangre aun a través del vidrio,
percibe el miedo desde la cocina
y a pesar de las puertas más robustas.
Suele crecer de noche:
coloca su cabeza de tiranosaurio
en una cama
y el hocico le cuelga
más allá de las colchas.
Su lomo, entonces, se aprieta en el pasillo,
de muro a muro,
y sólo alcanzo el baño a rastras, contra el techo,
como a través de un túnel
de lodo y miel.
No miro nunca la colmena solar,
los renegridos panales del crimen
de sus ojos,
los crisoles de saliva emponzoñada
de sus fauces.
Ni siquiera lo huelo,
para que no me mate.
Pero sé claramente
que hay un inmenso tigre encerrado
en todo esto.
EPITAFIO
Sólo dos cosas quiero, amigos,
una: morir,
y dos: que nadie me recuerde
sino por todo aquello que olvidé
O TIGRE
Há um tigre em casa
que dilacera por dentro aquele que o olha.
E somente tem garras para aquele que o espia,
e somente pode ferir por dentro,
e é enorme:
maior e mais pesado
que outros gatos gordos
e carniceiros pestíferos
de sua espécie,
e perde a cabeça com facilidade,
fareja o sangue mesmo através do vidro,
percebe o medo até da cozinha
e apesar das portas mais robustas.
Costuma crescer de noite:
coloca sua cabeça de tiranossauro
em uma cama
e o focinho fica pendurado
para lá das colchas.
Seu dorso, então, se aperta no corredor
de uma parede à outra,
e somente alcanço o banheiro rastejando, contra o teto,
como que através de um túnel
de lodo e mel.
Não olho nunca a colméia solar,
os negros favos do crime
de seus olhos,
os crisóis da saliva envenenada
de suas presas.
Nem sequer o cheiro,
para que não me mate.
Mas sei claramente
que há um imenso tigre encerrado
em tudo isso.
EPITÁFIO
Somente duas coisas quero, amigos,
uma: morrer,
e duas: que ninguém se lembre de mim
senão por tudo aquilo que esqueci.
Tradução em português: Plinio Junqueira Smith
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
HOMENAGEM: ANJOS DA GUARDA: LECI BRANDÃO - ao vivo happy hour 2009 mircmirc

Foto: Bandeira do Brasil
SALVE! SALVE! SALVE, LECI BRANDÃO!!!
ANJOS DA GUARDA
LECI BRANDÃO
Professores
Protetores das crianças do meu país
Eu queria, gostaria
De um discurso bem mais feliz
Porque tudo é educação
É matéria de todo o tempo
Ensinem a quem sabe tudo
A entregar o conhecimento
Na sala de aula
É que se forma um cidadão
Na sala de aula
Que se muda uma nação
Na sala de aula
Não há idade, nem cor
Por isso aceite e respeite
O meu professor
Batam palmas pra ele
Batam palmas pra ele
Batam palmas pra ele
LOS ÁNGELES GUARDIANES
LECI BRANDÃO
Maestros
Protegiendo de los niños de mi país
Yo quise, mi gustaría
De un discurso muy más feliz
Porque todo es la educación
Es cuestión del tiempo entero
Enseñe a quién sabe todo
Para dar el conocimiento
En el aula
Es que se forma un ciudadano
En el aula
Eso mueve una nación
En el aula
Ningún hay edad, ni color
Por consiguiente acepte y respete
Mi maestro
Las manos de la palmada para él
Las manos de la palmada para él
Las manos de la palmada para él
sábado, 25 de setembro de 2010
HOMENAGEM: GRACIELA MATURO (ARGENTINA)*

Foto: pintura de Max Ernst- O Olho do Silêncio
HOMBRE DE MÁSCARA DE PÁJARO
Ante un cuadro de Max Ernst
El puñal se ha clavado
en el pie de la joven madre.
Puedo oír su gemido como gotas de sangre
entre nubes grises.
No me cautivarás
hombre de máscara de pájaro
jugador de dados enlutados.
No podrás destruir mi red de nube y sueño
ni convertir en polvo la rosa que me habita.
volatinero cruel de amarillas vestiduras
hechicero que esgrimes un látigo de violetas.
Tu voz enredaba mis cabellos
el gélido fuego de tus venas.
Tu canto encantaba mis oídos
con su seda de nardos.
Otro canto suena ahora desde las colinas
en el amanecer.
Una música hecha de luz,
un bálsamo sagrado.
HOMEM DE MÁSCARA DE PÁSSARO
ante um quadro de Max Ernst
O punhal se cravou
no pé da jovem mãe.
Posso ouvir seu gemido como gotas de sangue
entre nuvens cinzentas.
Não me cativarás
homem de máscara de pássaro
jogador de dados enlutados.
não poderás destruir minha rede de nuvem e sonho
nem converter em pó a rosa que me habita.
Equilibrista cruel de amarelas vestes
feiticeiro que esgrimes uma chibatada de violetas.
Tua voz enredava meus cabelos
ao gélido fogo de tuas veias.
Teu canto encantava meus ouvidos
com sua seda de nardos.
outro canto soa agora desde as colinas
no amanhecer.
Uma música feita de luz,
um bálsamo sagrado.
Do Libro: Poesía en Tránsito/Argentina-Brasil, 2009, pp-.72-3.
Tradução de Valéria Duque dos Santos
GRACIELA MATURO: Poeta y ensayista afincada sucesivamente en Paraná y en Mendoza y perpetua andariega, le tocó ser, además, una de las protagonistas principales de un momento decisivo para la interpretación profunda de la literatura latinoamericana en los ámbitos académicos argentinos, cuando mediante el buceo sistemático de su historia u de sus prouecciones se consiguió por fin revelarnos - en clave actual - toda su riqueza y la amplia y fecunda multiplicidad de sus significados. Docente universitaria de extensa trayectoria, investigadora de estudio referidos a ese tema, a sus importantes ensayos y libros de asedio suma un puñado de momorables poemarios ahincados en la impasible contemplación de los limites del hombre, en la ternura madurada en la soledad insoslayable.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
HOMENAGEM: SOLVEIG, HILDA MARIA INTERIANO CUEVA DE PAYÉS (HONDURAS)*


Foto: HILDA INTERIANO DE PAYÉS (HONDURAS)
SOLVEIG
A Solveig Ivarsson Green
SOLVEIG, una señora primorosa,
Bella como su “Sol de Medianoche”,
Lleva en su sonrisa candorosa
La alegría de la cual hace derroche.
Corazón de mil islas transparenta
El cristal de sus “fiords” inigualables.
El carisma de sus dones se aumenta
Con virtudes y modales siempre afables.
La conocí un día claro de verano
Cuando en busca de sol llegó a estos lares,
Creció nuestra amistad, como la de un hermano
Que pone luces ante sus altares.
Ahora, ella esté lejos de esta tierra,
Cultivando el rododendro en sus jardines,
Frente al lago azul, frente a la sierra
Y regalando al viento sus jazmines.
SOLVEIG
Para Solveig Ivarsson Green
SOLVEIG, uma senhora primorosa,
Bonita como seu "Sol de Meia-noite",
Leva no sorriso inocente
A alegria de quem transborda.
Coração de mil ilhas transparentes
O cristal s de "fiordes" inigualáveis.
O carisma dos seus dons se aumentam
Com virtudes e modos sempre afáveis.
Eu a conheci um dia claro de verão
Quando à procura de sol chegou a estes lares,
Cresceu nossa amizade, como a de um irmão
Que põe luzes diante dos altares
Agora, ela está longe desta terra,
Cultivando o rododentro em seus jardins,
Em frente ao lago azul, em frente à montanha,
E presenteando ao vento os seus jasmins
Poema: SOLVEIG
Autora: Hilda Interiano de Payes/ Marina de la Cueva - Honduras
Tradução ao Português: Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)
* HILDA MARIA INTERIANO CUEVA DE PAYÉS : Lugar y Fecha nacimiento: Ruinas de Copán, Honduras, 26 Septiembre, 1929. Es Hija Predilecta de Copán -: Desde la edad de doce años se trasladó con su familia a El Salvador. Comenzó a escribir poemas siendo niña y aunque tuvo un largo período de silencio, desde 1983 tomó nuevos bríos u ha sido constante en escribir sus poemas, sencillos, francos e inspiradores. Hasta la fecha, editados los siguientes poemarios: “ En Las Aristas del Cristal” 1989, patrocinado por Banco Salvadoreño. “Gritos del Alma” 1992. “ Luces en el Agua” 1993. “ Más allá Del Dolor – Más allá Del Amor” 1994, “Eterna Fortaleza” 1995, “Distancia en el Tiempo” 1997, “ Espera Silenciosa” 1998, “En Espejo de los Sueños” 2000, “Soy Gaviota”, lista para editar por el Banco Salvador, “ En El Silenco De La Noche” 2007, participa en numerosas Antologías, escribe sobre Turismo Rural en la Revista COMERCIO E INDUSTRIA, de la Cámara de Comercio e Industria de El Salvador, como miembro del Comité de Turismo. Es Conferencista y sostiene entre sus actividades lazos de PAZ. Participa además en forma comprometida de múltiples movimientos socio culturales a nivel internacional.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
HOMENAGEM: LAU SIQUEIRA (BRASIL)

Foto: Escultura de Augier
LUTA DE CLASSES
um menino
corre pelos becos
em busca do eco
no estômago vazio
outro menino
consome a infância
nos shoppings
ambos brincam
com o futuro
(poemas vermelhos – lau siqueira)
SIMULACRO
sempre tive esta
cara de lata disfarçada
na fumaça
mantenho minhas córneas
com exercícios abdominais
de visualização do mundo
puro como um búfalo
persigo o limite da miragem
na espreita do abismo
sou o que a poesia acode
quando flautam as brumas
em suma
(do livro, Texto Sentido. Lau Siqueira)
LEMINSKIAGEM
passo pelo mundo
ancorado numa coragem
que desconheço
sei lá de que lado está
meu avesso
(do livro Texto Sentido – Lau Siqueira)
PONTO SOMBRA
porque
tenho fé e cumpro
a sina de andar pelos dias
caminho entre milhas
de distância e lugar nenhum
costumo limpar os sapatos
e a garganta antes de cada passo
ou grito
escrevo
ainda que
em algum momento apenas
anote a placa do verso que
por mim passou voando
(do livro Texto Sentido – lau siqueira)
http://www.poesia-sim-poesia.blogspot.com/
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