sexta-feira, 6 de agosto de 2010

POESIA: MARIA ESTHER MACIEL (BRASIL)




FOTO: Berther Morisot - Em Um Banco



Ofício


Escrever
a água
da palavra mar
o vôo
da palavra ave
o rio
da palavra margem
o olho
da palavra imagem
o oco
da palavra nada.



Aula de Desenho

Estou lá onde me invento e me faço:
De giz é meu traço. De aço, o papel.
Esboço uma face a régua e compasso:
É falsa. Desfaço o que fiz.
Retraço o retrato. Evoco o abstrato
Faço da sombra minha raiz.
Farta de mim, afasto-me
e constato: na arte ou na vida,
em carne, osso, lápis ou giz
onde estou não é sempre
e o que sou é por um triz.



MARIA ESTHER MACIEL: nasceu em Patos de Minas (MG),Brasil, em 1963 e vive em Belo Horizonte desde 1981.
É professora de Teoria da Literatura da Faculdade de Letras da UFMG. Mestre em Literatura Brasileira e Doutora em Literatura Comparada, com Pós-Doutorado em Cinema pela Universidade de Londres. É autora dos livros: Dos Haveres do Corpo (poesia, Ed. Terra, 1985), As vertigens da lucidez: poesia e crítica em Octavio Paz (ensaio, Ed. Experimento, 1995); A dupla chama: amor e erotismo em Octavio Paz (ensaio, Ed. Memorial da América Latina, 1998); Triz (poesia, Ed. Orobó, 1999); Vôo Transverso: poesia, modernidade e fim do século XX (ensaios, Ed. Sette Letras, 1999); A memória das coisas (ensaios, Ed. Lamparina, 2004), e O livro de Zenóbia (ficção, Ed. Lamparina, 2004). Organizou os seguintes livros: A palavra inquieta: homenagem a Octavio Paz (ensaios, Ed. Autêntica, 1999); Laís Corrêa de Araújo (Ed. Fale/UFMG, 2002), e O cinema enciclopédico de Peter Greenaway (ensaios, Ed. UNIMARCOS, 2004). Coordena o TransVerso – Fórum de Criação e Estudos Poéticos da UFMG. Tem ensaios, contos e poemas publicados em revistas e jornais do Brasil e do exterior. Seu site na Internet: www.letras.ufmg.br/esthermaciel

sábado, 31 de julho de 2010

POESIA: JOAQUIM DO TELHADO E A DEUSA ATENA



Foto: Escultura do poeta Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana



Foto: Deusa Atena


JOAQUIM DO TELHADO E A DEUSA ATENA


Vanda Lúcia da Costa Salles



Com uma caneta parker 51 escolhi
um diálogo diferente e sutil
em que a menina se visse assim
como a Deusa Atena se viu também
no espelho que Joaquim construiu
do telhado de zinco de um céu anil
sobre os coloridos de casas que poucos veem...


a poesia sabe
que a esperança nem sempre invade
o peito aberto de qualquer um...


Um estranho ímpar
revela o Sol na primavera
revela a dúvida no pôr-do-Sol
revela a Deusa Atena o seu Joaquim do Telhado
revela o ser que:


- Entre a dor e o Nada, o que você escolhe?



A forma sempre
será o que perseguiremos
será o que imaginaremos
será o que não cederá o seu mistério
será o que é para ser



Porque
Nunca será como antes...E a sede sempre irá existir...

domingo, 25 de julho de 2010

POESIA: NA LUCIDEZ DE SUA BOCA - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES -BRASIL



Foto: Museu do Louvre- Paris


NA LUCIDEZ DE SUA BOCA


A Sylvain Auroux



no âmago do coração silencioso
instaura-se o gosto pela graça de destecer os fios do Sol da intrigante origem
quando na lucidez de sua boca dentes e sorrisos alados vislumbro
o que de manso e humano sei
de quaisquer línguas
instantes
absolutos em que traço o espaço
em que golpeias o meu ser
com sua língua
des pu do ra da men te
insana/divina:
o lance
do aprender
sentir

sexta-feira, 23 de julho de 2010

MOMENTO DISCENTE: LUA - MIRIAM LEITE PEREIRA*







LUA

MIRIAM LEITE PEREIRA (BRASIL)


Pina era uma indiazinha que gostava de olhar para o céu. Achava a Lua maravilhosa e amorosa. Ficava, portanto, horas inteiras olhando a Lua e chegava a dar pulos para o ar, pensando em alcançá-la. Vivia correndo à noite, pelos córregos, campos e pradarias.
Em uma certa noite, Pina viu o disco luminoso refletido nas águas do rio caudaloso. Não teve dúvidas, atirou-se à correnteza e desapareceu. Em busca do seu sonho de amor.
A Lua se compadeceu da indígena, que afogou-se sorrindo, enamorada. Trouxe seu corpo para a superficie e o transformou em uma flor da cor do luar.
Dizem os indiozinhos de minha aldeia que nasceram, a partir daí, varias diversidades de Vitória s–Régias ( a majestosa flor do luar) e na beira dos rios caudalosos, desse fim de mundo que é o interior da floresta Amazônica, inúmeros iguarapés sofregos de vida, aguardam o seu desabrochar. Falam também que é divindade sublime dos Deuses: uma questão de resiliência.


* CONTO SELECIONADO PARA A 1ª ANTOLOGIA NACIONAL E INTERNACIONAL " ASAS... AO REDOR DO MUNDO"- 2010

MOMENTO DISCENTE: MENINA DO MEU SONHO- ISABELLA PEREIRA DE CARVALHO (BRASIL)*



Foto: Chagal


MENINA DO MEU SONHO


ISABELLA PEREIRA DE CARVALHO (BRASIL)


Ah, eu sei! E como sei!
Que posso não ser um verdadeiro trovador
Mas o que eu escrevo
É com amor.

Já me falaram que você é utopia
Coisa do passado
Como eu queria ser
O seu namorado.

Ah, minha namorada!
Com você eu sonho acordado
E sempre se lembre, por favor,
Que a minha cantiga é de Amor.


* POESIA SELECIONADA PARA A 1ª ANTOLOGIA NACIONAL E INTERNACIONAL "ASAS AO REDOR DO MUNDO"-2010

sábado, 17 de julho de 2010

POESIA: MACHADO DE ASSIS - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES - BRASIL



Foto: Joaquim Maria Machado de Assis- Escritor (Brasil)



MACHADO DE ASSIS



Ah, mestre aprendiz!
Da/na/cá machadinho p'ra manacá e tatus
sujei-me gordo (e)mana
a língua petalógica
em cada página da vida
versos vivos
apontam
um aguçado alento
torto
pela ironia de ser
um quê tão roxo e tinto
como esse vinho,
o qual brindo
às horas prendas do dia



E se no gosto
largo e voraz sucubimos afins
não creio
o veio n'alma
precise a linha
e um ponto final

quarta-feira, 14 de julho de 2010

DA ARTE EDUCACIONAL: LOGO DO T.A.A.R. E DO ENLACE/MPME - POR VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES



Foto: Desenho inicial do MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO - Autoria de Vanda Lúcia da Costa Salles ( iniciado em 05/06/2009 e transformado em tela pictórica em 03/07/2009- acervo da autora)-BRASIL




Foto: LOGO T.A.A.R.-ALITAS DE AMÉRICA, ARGENTINA- Desenho(criação) de Vanda Lúcia da Costa Salles - doado para ALAS ROTAS-ALITAS DE AMÉRICA-ARGENTINA/BRASIL